Dinheiro curto para a safra de verão
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sexta-feira, 21 de março de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba O produtor rural, que estava acostumado com a disponibilidade de crédito rural nos últimos anos, pode não encontrar todo o dinheiro que precisa nos bancos para o plantio da safra 2003-04. Com isso, terá que autofinanciar pelo menos parte da lavoura ou buscar o crédito de custeio com agroindústrias ou exportadores.
O aviso é do secretário nacional de Política Agrícola, Ivan Wedekin, que esteve, ontem, no Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), em Curitiba, para discutir o plano plurianual da safra agrícola e de políticas de curto prazo para o plantio do trigo.
Wedekin disse que foi avisado, pelo sistema financeiro, que este ano o volume de recursos disponíveis para o crédito rural vai cair, provocado pela elevação do recolhimento dos depósitos à vista dos bancos, determinada pelo governo no início do ano. Como consequência, a primeira medida dos bancos é fazer a operação ''raspa-tacho'', ou seja aplicar todos os recursos disponíveis para sobrar pouco na rubrica depósitos à vista, que passou a ter um recolhimento de 60%. Como a resolução das exigibilidades bancárias determina que 25% dos depósitos à vista devem ser aplicados em crédito rural, vai sobrar muito pouco para o setor.
Em relação à taxa de juros, Wedekin disse que o Ministério da Agricultura vai tentar que ela seja mantida nos atuais 8,75% ao ano. Mas isso ainda não está definido e pode ser alterado pelo Conselho de Política Monetária (Copom), em função de um cenário incerto na economia, devido à guerra.
Wedekin avisou que este ano o plano plurianual para a safra de grãos será divulgado até o final de maio, para que o produtor tenha tempo suficiente para planejar o plantio. E antecipou que o plano deve conter novidades, com a modernização de alguns instrumentos, que o governo já considera obsoletos. Entre eles, a política de preços mínimos e os Empréstimos do Governo Federal (EGF).
Wedekin disse que o EGF deverá ser substituído pela Linha Especial de Crédito à Comercialização (LE ), que permite financiar o pequeno agricultor no valor real da produção. Por exempo, o financiamento para estocagem do milho, pela LEC, pode atingir até R$ 18,00 por saca, valor bem próximo do de mercado, ao passo que o EGF o teto do crédito é de R$ 9,50, correspondentes ao preço mínimo de garantia da saca.


