O pesquisador do Instituto de Agricultura e Ciências da Dinamarca, Gabor Vatja, acredita que o Brasil tem grandes chances de desenvolver pesquisas importantes no setor de clonagem, devido aos baixos custos de animais e laboratórios. No entanto, o país precisa resolver outros problemas, como atrasos nas importações de materiais usados nos experimentos.
Ele citou como exemplo a importação de reagentes usados nas pesquisas, que no Brasil levam cerca de quatro meses para chegarem até o laboratório. Em países da Europa, o material é entregue em torno de dois dias. ''Enquanto os pesquisadores daqui estão esperando a chegada do reagente, na Europa a pesquisa já foi publicada'', completou.
Outro problema citado por Vatja é a língua inglesa, considerada o idioma da ciência nos dias de hoje. Ele vê o problema da língua como uma barreira, já que as publicações precisam ser publicadas em inglês e nem sempre isso ocorre no Brasil.
Mesmo assim, Vatja vê com otimismo o crescimento de pesquisas no ramo da clonagem no Brasil, devido ao entusiasmo e interesse dos pesquisadores. ''Eventos sobre esse tema na Dinamarca reúnem cerca de 20 pesquisadores. Aqui em São Paulo participei de um simpósio com mais de 600 inscritos'', lembrou.
Para ele, o maior desafio dos pesquisadores é demonstrar as vantagens da clonagem. ''Quando se fala em clonagem, as pessoas já associam o lado negativo demonstrado no filmes. Mas é preciso destacar as vantagens como a clonagem de órgãos e avanços em tratamento de doenças crônicas'', argumentou.
Na opinião de Vatja, demonstrar as vantagens será o grande desafio da ciência, uma vez que em diversos países da Europa as pesquisas nesse campo vêm sendo restringidas e até proibidas, como ocorreu na Dinamarca.(G.F.)

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