Álcool mais barato, crise internacional e instabilidades políticas na Bolívia foram alguns dos fatores que desestimularam os paranaenses a adaptarem seus veículos ao Gás Natural Veicular, o GNV. Segundo o Detran-PR, apenas 634 automóveis foram convertidos em todo o estado de janeiro a 30 de julho deste ano - um crescimento pífio de 2,36%. Em dezembro de 2008, havia 26.755 carros autorizados a trafegar com GNV no Paraná. Hoje, são 27.389. Em Londrina, em todo o ano passado, foram convertidos 476 carros, ou 39 por mês. Nos sete primeiros meses de 2009, houve 105 conversões, uma média de 15 mensais. Existem hoje 1.340 automóveis a GNV na cidade. Na capital, a frota com o gás natural, segundo o Detran, encolheu de 16.846 para 16.640 (206 carros a menos).
Danilo de Azevedo, proprietário da Lael Centro Automotivo, uma das quatro oficinas autorizadas a fazer a conversão em Londrina, notou uma queda de 30% no movimento em sua loja neste ano. Segundo ele, a culpa é da Bolívia. ''Quando os bolivianos nacionalizaram a produção de gás, o Brasil passou a pagar mais caro'', acredita. Tadashi Endo, dono da Generation, também de Londrina, afirma que o movimento está fraco. Mas, para ele, a razão é a existência de um só posto de GNV. ''O pessoal que mora na zona sul tem que atravessar a cidade para abastecer'', justifica.
Álcool mais barato e gás mais caro justificam o desinteresse do consumidor, segundo o Sindicombustíveis, sindicato dos postos do Paraná. ''Com a super safra da cana e a frustração dos usineiros que não conseguiram exportar tudo o que planejaram em razão da crise, sobrou álcool no mercado brasileiro e o preço caiu. Resultado: o álcool acabou se tornando um concorrente para o gás'', afirma o presidente da entidade, Roberto Fregonese.
Segundo ele, as investidas do presidente Evo Morales contra a Petrobrás na Bolívia também ajudaram a barrar o crescimento do GNV. Hoje, de acordo com Fregonese, 56% do gás natural utilizado no Brasil vêm do país vizinho. ''Mas com as descobertas feitas na Bacia de Santos, acreditamos que, até o ano que vem ou em 2011, não vamos mais precisar do gás boliviano.''
Evanilton Pereira da Silva, funcionário do Autoposto Sorriso, da capital, relata que a venda de GNV caiu 50% nos últimos 15 meses. ''Tem muito taxista que fez conversão, mas que não usa mais gás, só álcool. Eles dizem que não compensa'', conta. Mas Silva atribui a redução nas vendas também ao aumento de concorrência. ''De uns tempos para cá, muitos postos passaram a vender GNV e como o pessoal não está fazendo novas conversões, fica difícil.''
Voz dissonante
Apesar de os números do Detran apontarem a redução na quantidade de veículos convertidos na capital, Carlos Eduardo Nadolny, proprietário da empresa curitibana Gasturbo, afirma que o movimento continua bom. ''Estou convertendo em média uns 30 carros por mês.'' Segundo ele, existem nove oficinas autorizadas em Curitiba. ''Para nós, o mercado continuar normal.''

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