Diminui inadimplência nos financiamentos de veículos
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terça-feira, 22 de outubro de 2013
João Fortes<br>Reportagem Local 
O crédito mais restrito para a compra de veículos, com juros ainda baixos, mais entrada de, em média, 50% provocou uma queda na inadimplência do setor, de acordo com o vice-presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Luiz Montenegro. Segundo ele a inadimplência gira em torno de 2%.
Ele cita que a maioria das montadoras, com bancos próprios, conseguiu fazer campanhas de financiamentos com juros subsidiados, justamente devido à entrada em torno da metade do valor do veículo.
Com a restrição ao crédito, a carteira total para a aquisição de automóveis deve ficar estável, em R$ 256 bilhões entre 2012 e 2013 e crescer para R$ 260 bilhões em 2014, segundo o vice-presidente da Anef.
O gerente da área de veículos da BV Financeira de Londrina, Olinto Luís Tesone, confirma a queda na inadimplência e estima que atualmente o índice está entre 2% e 3%. "Os bancos ficaram mais seletivos, mas acredito que também houve um pouco mais de conscientização do cliente", avalia.
Com menos consumidores endividados, Tesone acredita que os bancos devem diminuir um pouco as exigências para a tomada de crédito. Além disso, o final do ano que tradicionalmente é conhecido pela elevação nas vendas das concessionárias pela entrada do 13º salário - pode ser ainda melhor em 2013. "A expectativa é muito boa. Os lojistas estão com estoque e as vendas podem ser bem melhores que o ano passado, quando a inadimplência era mais alta",
destaca.
É o que também esperam alguns gerentes de financiamento de concessionárias em Londrina. "A perspectiva é melhor, já que estamos aplicando taxas mais baixas mês a mês", declara Melyssa Cancellier, da Metronorte. "As taxas de juros estão caindo ainda mais. Em um plano com entrada de 30% e financiamento de 24 vezes a taxa era de 1,32%, agora caiu para 1,19%", exemplifica Célio Roberto e Oliveira, da Ford Tropical.
Na opinião do economista Laércio Rodrigues de Oliveira, as medidas restritivas dos bancos tornaram o crédito "mais saudável". "É um estímulo importante, na medida que você compromete a pessoa a pagar, por exemplo, 50% do valor do carro, diminuindo bastante o endividamento".
Mas ele também acredita que ainda há um caminho importante a percorrer no que diz respeito à educação financeira do consumidor. "A demanda da população é alta, mas não existe uma cultura educacional financeira", destaca.
Por isso ele orienta o consumidor a ficar atento, não apenas a taxas de juros e valor de entrada, mas também a outras questões. "Tem que avaliar o orçamento fixo, do qual não se tem como fugir e ao comprar um carro não é só prestação, tem combustível, manutenção, seguro".
A entrada de metade do valor do veículo é o valor mínimo ideal, segundo Oliveira. Se o consumidor não dispuser disso ele considera melhor poupar antes. "É melhor receber menos de 1% da poupança do que pagar uma taxa de juros alta durante muitos anos, por um produto que ainda vai se depreciando". (Com Agência Estado)


