Brasília O reflexo da crise financeira vivida pela economia brasileira em 2002 e da aversão a risco dos investidores internacionais foi uma forte contração no volume de operação dos bancos instalados no País com o exterior. Um levantamento feito pelo Banco Central (BC) com 104 instituições financeiras que operam no Brasil mostra que não foram apenas as operações de captação de dinheiro lá fora que encolheram.
Além do passivo dos bancos, os ativos - que são empréstimos feitos por instituições brasileiras para grupos estrangeiros ou aplicações em bolsa de valores e no mercado financeiro em geral no exterior - também ficaram menores. De acordo com o levantamento do BC, em setembro do ano passado esses ativos internacionais somavam R$ 128,808 bilhões. No fechamento do ano, entretanto, esse montante era de R$ 104,187 bilhões. Já os passivos caíram de R$ 184,774 bilhões, em setembro, para R$ 151,693 bilhões, em dezembro de 2002.
Considerando que, no último trimestre do ano passado, o real registrou uma valorização de 9,3% frente ao dólar, a oscilação verificada nos ativos e passivos internacionais dos bancos mostra basicamente uma contração nas operações lá fora. ''As instituições tiveram dificuldade para captar recursos no exterior e, além disso, o BC reduziu o limite de exposição cambial'', argumenta o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
Segundo ele, o levantamento feito, segundo metodologia do Banco das Compensações Internacionais (BIS), leva em conta todas as operações feitas pelos bancos instalados no Brasil lá fora mais as operações em moeda estrangeira realizadas no mercado interno. O estudo, no entanto, não inclui a movimentação das filiais no exterior com terceiros e nem operações no mercado doméstico referenciadas em dólar, como títulos cambiais, negociações futuras e contratos especiais de câmbio (swaps).
De acordo com a pesquisa, percebe-se que o grau de internacionalização desses bancos ainda é baixo. Os ativos internacionais detidos pelos 104 bancos pesquisados representam apenas 9,8% dos ativos totais dessas instituições. A vantagem é que o passivo externo também é pequeno quando comparado com o total de empréstimos e operações junto a terceiros de médio e longo prazo: 16%. ''É um nível baixo de internacionalização'', disse Lopes.

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