Dilma ganha mais poder com o PAC
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domingo, 21 de janeiro de 2007
Vera Rosa eTânia Monteiro<br> Agência Estado 
Brasília - O poder dela é muito maior do que se imagina. E vai aumentar. A partir de amanhã, quando for lançado o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ganhará mais uma atribuição: o comando de um novo comitê, encarregado de fiscalizar o andamento do plano com o qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende marcar seu segundo mandato. Gerente do governo, Dilma está empenhada em não deixar que o programa se transforme em mera carta de intenções, como o ''Pacote 51'', anunciado em 1997 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
A referência ao frustrado esforço fiscal de dez anos atrás foi tanta nas reuniões reservadas do Palácio do Planalto, que Lula decidiu escalar a chefe da Casa Civil para dirigir um comitê de acompanhamento do PAC. O núcleo vai monitorar a execução das ações previstas no programa até 2010. A aposta do presidente, com a penca de medidas embaladas sob o rótulo de estímulo aos investimentos, indica uma inflexão econômica na tentativa de fazer o País crescer todo ano na casa de 5%. ''Nesse destravamento do Brasil, na verdade eu só falo e a Dilma trabalha'', afirmou Lula, em dezembro, ao se reunir com empresários, no Palácio do Planalto. ''Quando na campanha eu falava 'deixa o homem trabalhar', na verdade eu queria dizer 'deixa a mulher trabalhar.'''
Aos 58 anos, com amplo gabinete no quarto andar do Planalto, Dilma faz jus à sua fama de guerrilheira implacável dos anos de chumbo. Desde que assumiu a cadeira ocupada por José Dirceu - o ministro da Casa Civil que caiu na esteira do escândalo do mensalão, em junho de 2005 -, ela venceu a maioria das batalhas que levou adiante, não só na seara econômica, mas também no meio ambiente.
O cardápio de assuntos dos quais Dilma cuida é variado: da crise aérea à construção de hidrelétricas, passando por investimentos em infra-estrutura, pedágios, superávit primário e pendências que os governadores querem resolver com a União. O jornal britânico ''Financial Times'' chegou a comparar a decisão anunciada por Dilma, de rever o programa de concessão de rodovias federais, à intenção do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de nacionalizar setores da economia. Ela se irritou ao ser incluída no rol das ''personalidades estatizantes''.
Incursão - Há uma semana, Dilma fez uma incursão pelo mundo das articulações políticas: foi à casa do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), candidato à reeleição. Conversou com ele por mais de uma hora, mostrou preocupação com o racha na base aliada e garantiu que o Planalto não está usando a caneta das nomeações para inflar a candidatura do líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Aos interlocutores curiosos, Dilma contou que foi Aldo quem telefonou para ela. ''Não tive delegação do presidente para essa conversa'', assegurou. A uma pergunta, se também agregaria às suas funções, a partir de agora, a resolução de conflitos políticos, ela respondeu: ''Deus me livre! Não tenho nem tempo para isso''. Mesmo assim, a interferência de Dilma em vários feudos da Esplanada dos Ministérios causa ciumeira entre petistas. Ex-ministra de Minas e Energia, ela tem apenas seis anos de PT - era filiada ao PDT de Leonel Brizola - e já é uma das mais próximas colaboradoras do presidente. Tanto que seu nome aparece na fila dos cotados para disputar a sucessão de Lula, em 2010.


