Foz do Iguaçu – A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, ‘‘afunilou’’ o debate para implantação de um novo modelo energético para o Brasil, ontem, na sede da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu. A discussão aconteceu no encontro do Conselho Superior do Sistema Eletrobrás (Consise), que reuniu perto de 20 presidentes de 12 empresas estatais do setor elétrico.
  Rousseff disse que o governo federal acredita num sistema de energia sustentado em quatro pontos: ser confiável, ter modicidade tarifária (acessível aos consumidores), garantir retorno dos investimentos e que tenha ampla cobertura. Apesar de citar os pontos abordados, ela evitou mencionar os detalhes.
  A ministra lembrou que 5% do Brasil não têm energia. O índice representa que 2,5 milhões de residências brasileiras não possuem energia, o que significa de 10 a 13 milhões de pessoas sem energia - 80% delas residentes na zona rural, a maioria delas no Nordeste. Rousseff citou o município de Novo Santo Antonio (PI), onde 80% dos moradores não têm acesso à energia.
  ‘‘Começamos a dar um volume maior de formalidade a ele (modelo) porque nós estamos afunilando no sentido de tirar um esboço e apresentá-lo no momento oportuno à sociedade. Ele ainda não está em fase de divulgação’’, relatou a ministra. Segundo ela, o objetivo era implantá-lo no final de maio, mas agora deve ser divulgado em meados de junho.
  Adiante, alertou sobre os altos custos, por exemplo, das usinas térmicas, ‘‘que compram gás em dólar’’ e da energia eólica. E descartou novas privatizações de geradoras ou transmissoras de energia do governo federal, porém frisou que os estados têm autonomia sobre suas empresas. ‘‘Consideramos o setor estratégico, no entanto, isso não significa que queremos reestatizar nada’’.
  Questionada sobre a postura do governo federal quanto a denúncia de ilegalidade na privatização da Eletropaulo em 1998, Dilma comentou que ‘‘a Eletropaulo foi vendida pelo estado de São Paulo, não pela União.’’ ‘‘Então processos investigativos que têm origem a suspeição de irregularidade se resolvem na esfera do governo de São Paulo’’, disse. Lembrada da negativa do governo de paulista de investigar o caso, Dilma explicou que a apuração pode ser feita pelo Ministério Público.
  Matéria do Finacial Times descreve que a norte-americana AES, atual controladora da empresa, teria feito um acordo com a Eron para que esta desistisse do leilão, o que permitiu que a Eletropaulo fosse adquirida pelo preço mínimo.

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