Dilma deve entregar juros mais altos do que recebeu
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Confirmadas as projeções da pesquisa Focus divulgadas ontem pelo Banco Central, a presidente Dilma Rousseff vai encerrar seu mandado com uma taxa básica de juros (Selic) 0,5 ponto porcentual acima daquela registrada em seu primeiro dia de governo. No dia 1º de janeiro de 2011, a Selic era de 10,75% ao ano. Hoje, está em 10,5%, e vai fechar o ano, na previsão dos analitas, em 11,25%.
Em dado momento da sua gestão, a presidente elegeu a queda dos juros como uma das principais bandeiras do governo. "A economia brasileira só será plenamente competitiva quando nossas taxas de juros, seja para produtor, seja para consumidor, se igualarem às taxas praticadas no mercado internacional", disse ela, em rede nacional de rádio e TV, em 1º de maio de 2012, Dia do Trabalho.
Naquele momento, a taxa básica de juros estava a 9% ao ano. Enquanto Dilma declarava guerra aos bancos, exigindo que promovessem cortes nas taxas reais praticadas ao consumidor, o Banco Central seguiu baixando a Selic até outubro de 2012, quando ela chegou à marca histórica de 7,25%. Até março de 2013, foi mantida neste patamar. Depois, como a inflação botou suas garras de fora, voltou a crescer sucessivamente.
Mas o que deu errado e fez com que Dilma perdesse uma de suas principais bandeiras eleitorais? "Não deu certo porque o governo é um gastão", afirma Luciano DAgostini, economista e integrante do Grupo Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O modelo de crescimento voltado exclusivamente ao consumo, segundo ele, dificulta manter os juros em baixa. "A participação do consumo na evolução do PIB chegou a 42%, enquanto o investimento se mantém perto de 18% e deveria estar em 26%", explica.
Segundo o economista, o Brasil tem hoje a quinta maior taxa de juros do mundo, perdendo da Argentina (19,67%), da Venezuela (15,36%), do Irã (15%) e da Nigéria (12%). Entre os Brics, tem a maior. Na Índia, a taxa básica é de 8%, na China, de 6%, na África do Sul e na Rússia, de 5,5%. Já na Europa, Estados Unidos e Japão, os juros vão de 0% a 0,50%.
DAgostini acredita que não há razão para se continuar elevando juros com medo da inflação. "Tecnicamente, isso não é mais preciso", afirma. De acordo com ele, o governo esconde o real motivo da Selic elevada. "O que o Banco Central não admite é que está elevando juros para evitar a saída de dólares do Brasil", declara. Segundo o economista, todos os demais emergentes fizeram o mesmo. "Quando os investidores voltam a olhar com apetite para os Estados Unidos, os emergentes elevam juros na tentativa de segurar investimentos", explica.
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