Dilma adia anúncio de novos ministros
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sábado, 22 de novembro de 2014
Nelson Bortolin<br> Reportagem Local 
Depois de muita especulação na mídia, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República anunciou ontem no final da tarde que a presidente Dilma Rousseff não anunciaria os nomes dos novos ministros. O anúncio estava previsto para depois do fechamento da Bovespa, segundo assessores presidenciais.
De acordo com o que a Folha de S.Paulo apurou, Joaquim Levy deverá ser o novo ministro da Fazenda e Nelson Barbosa assumirá como titular do Planejamento. A reportagem apurou ainda que Barbosa esteve no Planalto ontem e que Levy estava em Brasília. Ambos já integraram a equipe econômica no primeiro governo. Levy foi secretário do Tesouro e Barbosa, ex-secretário-executivo da Fazenda.
Senador pelo PTB e candidato derrotado ao governo de Pernambuco, Armando Monteiro assumirá o Ministério do Desenvolvimento e Indústria, segundo o jornal apurou. Além da equipe econômica, Dilma iria anunciar a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura. Ela é presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA).
O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, era a primeira escolha da presidente para o Ministério da Fazenda, mas ele recusou o convite de Dilma. Trabuco esteve com a presidente na quarta-feira, quando agradeceu o convite, mas disse que não tinha condições de aceitar por causa de compromissos assumidos com o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão. Diante da recusa de Trabuco, Dilma passou a avaliar três nomes para formar sua equipe econômica: Joaquim Levy, Nelson Barbosa e Alexandre Tombini, atual presidente do Banco Central.
Roberto Zurcher, economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), diz que as indicações de Joaquim Levy para a Fazenda e Nelson Barbosa, para o Planejamento, têm "cara" de continuidade. "Posso estar enganado. Pode ser que, quando eles apresentarem suas propostas, eu mude de ideia. Mas, por enquanto, parece continuidade", avalia. Ele também lamenta o fato de Levy não ter sido a primeira opção da presidente. "Significa que os problemas do Brasil são muito grandes (por isso, Trabuco não teria aceitado)", declara.
Já o economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), João Basílio Pereima, avalia como muito positivas as indicações de Levy e Barbosa. "Elas equilibram as relações entre o governo e o mercado. As eleições colocaram a presidente Dilma numa sinuca. Ela precisa reconquistar a confiança do mercado", afirma. Para ele, com a dupla, o Brasil terá uma política econômica mais ortodoxa. "Com certeza vem aí um arrocho fiscal, com taxas de juros mais elevadas", declara.
Integrante do Conselho Regional de Economia (Corecon) do Paraná, Cid Cordeiro ressalta que a indicação de Levy acalma os mercados pelo fato de ele ser do Bradesco. "Isso pesou na escolha da presidente. Sinaliza ao mercado que haverá uma condução firme no ajuste fiscal", avalia. Assim como Pereima, Cordeiro diz que, com a nova equipe, a tendência é que a política econômica do segundo mandato de Dilma seja parecida com a do primeiro mandato de Lula, ou seja, mais ortodoxa. (Com Folhapress)
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