Dilema da Opep é a superprodução
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quarta-feira, 11 de dezembro de 2002
France Presse 
Viena - Na reunião extraordinária, que será realizada amanhã em Viena, os onze ministros dos países membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) deverão enfrentar o delicado problema da superprodução, que tem sido excepcional neste quarto trimestre, segundo analistas.
A Opep, que reduziu as cotas de produção estabelecidas aproveitando do aumento do preço do barril no mercado, deverá prestar contas para restaurar sua credibilidade, ou estabelecer novas cotas.
O dilema enfrentado pelos países membros do cartel é considerado sério, pois a superprodução (estimada entre 2,73 e 3 milhões de barris diários) provocou queda no preço do barril, que caiu de US$ 29 para pouco mais de US$ 25, num cenário de retração.
As cotas coletivas dos países da Opep somam, há mais de um ano, 21,7 milhões de barris diários, a mais baixa dos últimos 12 anos, exigindo dos produtores uma autodisciplina difícil de manter.
Na próxima reunião, ou a Opep reformula as cotas de produção, levando em conta as solicitações de alguns países membros, como Argélia e Nigéria, ou espera fazê-lo quando o Iraque retornar ao mercado, se levantadas as sanções impostas pela ONU.
A Argélia quer passar sua produção de 693 mil barris para 1,1 milhão de barris por dia, enquanto que a Nigéria pede um aumento simplesmente, sem precisar de quanto. A atual cota nigeriana é de 1,78 milhão de barris.
Segundo a revista especializada Middle East Economic Survey (MEES) a superprodução do cartel equivale a 12,6% de sua cota oficial.
Entre os países destacados pela revista, por não reduzirem suas cotas, figuram Venezuela, com produção de 3,2 milhões de barris diários (mbd) em outubro e 3,1 mbd em setembro; Arábia Saudita, com 7,85 mbd em outubro e 7,7 em setembro, e Argélia, com 1 mbd, em outubro e 900 mbd. O Irã produziu em outubro 3,5 mbd, e 3,7 mbd em setembro.
O secretário-geral da Opep, o venezuelano Alvaro Silva Calderón informou à revista austríaca Kurier que esperava um retorno aos tetos estabelecidos, opinando que neste momento a oferta é superior à demanda.
Calderón reconheceu que, apesar disso, os preços não caíram devido aos temores de uma guerra contra o Iraque, às temperaturas gélidas na costa leste dos Estados Unidos e à greve geral contra o governo do presidente venezuelano Hugo Chávez.


