Curitiba - O governo do Paraná divulgou ontem uma nota oficial contestando a reportagem publicada pela Folha no domingo ''Médias empresas amargam falta de apoio''. Segundo a Secretaria da Comunicação Social, o programa de estímulo à industrialização no Paraná é acessível a toda e qualquer empresa que deseje fazer investimentos.
A nota afirma que a dilação de prazo para pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal chamariz para que grandes empresas se instalassem no Estado, está disponível para qualquer empresário que queira implantar novos empreendimentos ou modernizar os já existentes.
Na reportagem de domingo, a Folha publicou as opiniões de representantes dos empresários. O presidente da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap), Ardisson Akel, por exemplo, afirmou que as pequenas e médias empresas do Estado ficaram sem apoio. Para ele, isso aconteceu porque não foram criadas novas instituições no Estado que pudessem fomentar a produção, como o Banco de Desenvolvimento do Paraná (Badep) e o Banestado possibilitavam aos médios empresários.
De acordo com o governo, o programa de apoio à industrialização beneficiou 254 grupos que assinaram protocolos de intenção, sendo que 59% delas eram nacionais. As empresas seriam de grande, médio e pequeno porte. A nota afirma que os empresários que dilatarem o prazo para pagamento do ICMS podem usar o dinheiro do imposto para fortalecer o empreendimento.
Como a reportagem mencionou, os empresários paranaenses podem utilizar recursos do Banco de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), do qual o governo paranaense é sócio e que emprestou R$ 48 milhões neste ano para empresas paranaenses. Mas os financiamentos do BRDE se concentram para mini e pequenos produtores rurais. Entre 2000 e 2001, dos 3.116 clientes do banco, 78% eram dessa classe, e apenas 3% eram médias empresas. A nota enfatiza também a atuação da Agência de Fomento, que como a reportagem relatou, oferta recursos para pequenos empreendedores.
A nota oficial diz que a comparação estabelecida pela reportagem, entre programas de industrialização, garantia de créditos e renegociação de impostos atrasados, ''é descabida''. A intenção da reportagem foi retratar o quadro geral vivenciado pelas empresas no Estado. Foram procuradas pessoas do governo para falar do assunto, mas nenhuma delas foi localizada na tarde de sexta-feira.

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