Diga não à Crise - Gilclér Regina
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de março de 1999
Gilclér Regina 
Diga não à crise. O medo da crise afugenta clientes num primeiro momento e após a turbulência, enchem novamente as empresas. Todo esse vai e vem não nos deve mais assustar. Precisamos justamente tirar partido dela e aprender nestes momentos mais difíceis. Quando tudo está bom, a tendência é colocar a sujeira debaixo do tapete. O médico, quando tem o seu consultório vazio, tem a oportunidade de estudar mais, de se preparar mais e melhor à espera de uma enchente de clientes. E essas crises? Todas tem inclusive nome. A crise do México. A crise Asiática. A crise Russa. A crise de Hong Kong. A crise do Real. A crise do Itamar. Que nome darão à próxima? Todas elas espalham um grande perigo: a síndrome do pânico.
Logo de manhã você ouve pelo rádio a opinião de três economistas. O primeiro diz que não temos mais saída, é uma questão de dias. O segundo tinha a mesma opinião, mas acredita que tenhamos mais alguns meses de vida. O terceiro diz que é apenas mais uma crise, mas que é preciso tomar cuidado com a história do rei, da peste e da morte.
Era um reino grande e feliz. O rei, homem bom, teve a visita da peste e da morte. Assustado, perguntou qual o motivo da audiência. A peste explicou que deveria assolar o reino e, por consequência, a morte levaria 5000 pessoas do reino. Após complicadas negociações, o rei conseguiu que a peste reduzisse para 100 pessoas que deveriam morrer. Tempos depois a peste atacou. Morreram 50 pessoas. Depois o número foi de 100. De 1000. E morreram 4.900 pessoas.
O rei, sentindo-se traído, chamou a peste, para explicações. E aí, foi a vez da morte falar: Fizemos o combinado. A peste atacou somente 100 pessoas e eu aproveitei e as levei. Mas o que não esperávamos é que outras 4.800 pessoas morressem de medo e de susto.
Esta crise pode nos matar de susto. Não nos mostram uma crise conjuntural, como efetivamente é, mas nos mostram uma crise de estrutura. Parecem até torcer pelo agravamento dos sintomas. Parece que até escondem as notícias boas. Só valem as de demissões, desemprego, pátios de montadoras lotados, quedas nas vendas, cortes... Aí, a população, assustada de verdade, para de comprar. E a bola de neve negativa fica cada vez maior.
A hora é de bom senso, de criatividade, de elevação da auto-estima e não de pânico. É hora de buscar motivação. Motivar é oferecer os motivos para que sejam vencidos os desafios. Como disse Martim Luther King: Se um homem não descobre algo por que morrer, não está preparado para viver.
Eu vejo professores que ganham mal, mas que se preparam como se aquela fosse a aula de sua vida e isso é bonito de ver. Possuem sentimento de missão. Não adianta querer vencer, é preciso se preparar para vencer. Não basta rezar, é preciso ir ao encontro de Deus. Precisamos ser positivos e fazer a nossa parte. Quem sabe, devemos nos inspirar na frase de Winston Churchill que disse certa vez: O mundo estaria arruinado se cada um somente cumprisse com a sua parte. Nunca vi nesta vida um desanimado que prosperasse. Sei que estamos vivendo momentos difíceis, mas é com otimismo que se constrói. O fracasso só existe verdadeiramente para os desanimados, para os profetas do caos que estão sempre de plantão. Essas pessoas predizem que nada vai dar certo e acabam acertando, porque nada acaba mesmo dando certo.
A grande solução é a autoconfiança. Precisamos confiar mais. Precisamos ter mais certeza no positivo e sabemos que este se alimenta dos negativos. A grande dica é ver o que todo mundo vê e perceber o que ninguém percebe. Quem fizer isso, seja empresário, empregado, profissional liberal, dona-de-casa, quem quer que seja, estará construindo o seu sucesso pessoal, fincado em rochas verdadeiras. Dizer não à crise e ter motivação é coisa séria, ou você se posiciona no caminho dos vencedores ou abaixa a sua cabeça e aceita que é um derrotado. Problemas todos nós temos, mas só vemos uns poucos buscarem pela solução. Existem pessoas que se escondem esperando a tempestade passar e outras que enxergam na dificuldade uma nova oportunidade e constróem a paródia da sua vida. Qual dos dois tipos de pessoas é você? Diga não à crise.
- Gil
clér Regina é autor de livros e consultor de programas de motivação e de qualidade para empresas.


