Dificuldades limitam a produção de flores e folhagens no Brasil
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de setembro de 2004
Agência Estado 
As flores e folhagens brasileiras estão ocupando mercados importantíssimos no exterior, como a Holanda, Alemanha, Japão e Estados Unidos, mas ainda falta muita coisa a resolver internamente para que o Brasil seja um grande exportador do produto.
As exportações brasileiras de flores e plantas ornamentais atingiram em junho US$ 2,49 milhões, o maior valor mensal já comercializado pelo País no segmento da floricultura. O resultado foi, ainda, 19,9 % superior ao verificado no mês de junho de 2003.
A projeção é de que em 2004 o valor acumulado fique em, no mínimo, US$ 25 milhões, o que representará um resultado final cerca de 30% superior ao obtido no ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), órgão representativo do setor de flores e plantas ornamentais).
Em entrevista à Agência Sebrae de Notícias, durante a durante a 7 Fiaflora Feira Internacional do Paisagismo, Jardinagem e Floricultura , o superintendente do Sebrae em Mato Grosso, José Guilherme Ribeiro, e a coordenadora nacional da cadeia das flores do Sebrae, Léa Lagaris, pontuaram as principais dificuldades que o mercado de flores, principalmente as tropicais, e folhagens tem para crescer tanto dentro como fora do País.
No entender dos dois especialistas, o principal problema a ser resolvido imediatamente é a criação de centros de pesquisa e desenvolvimento de plantas e folhagens em todo o País. Para se ter uma idéia, bromélias e helicônias estão indo para outros países, como a Costa Rica, para que sejam pesquisadas, desenvolvidas novas espécies e tornem-se reserva de mercado daquele País.
Precisamos pesquisar, mas acima de tudo criar os centros para dar suporte técnico para o cultivo e produção de flores, folhagens e plantas, diz Ribeiro. Para Léa, tanto o mercado interno como o mercado externo comercializam as flores seguindo tendências de moda, por isso, a necessidade da pesquisa de novas tonalidades, de novas plantas. ''Com a quantidade de biomas que o Brasil possui, é possível lançarmos uma tendência de flores e folhagens anualmente. Para isso, precisamos apenas de pesquisa.''
Segundo eles, muitas espécies são desconhecidas do mercado e nunca foram aproveitadas comercialmente. Só a região do Mato Grosso possui três biomas diferentes Pantanal, Cerrado e a Floresta Amazônica. Além da criação dos centros de pesquisas, as universidades deveriam inserir cadeias específicas na área de flores e folhagens que, segundo Léa, produziram técnicos altamente qualificados. ''Não adianta criar os centros se não há mão-de-obra para trabalhar neles.''
O superintendente do Sebrae em Mato Grosso cita como exemplo a ''expertise'' adquirida pelo Brasil na área dos grãos. ''Como estão por trás grandes produtores, os centros de pesquisa nessa área estão cada vez mais desenvolvidos. O mesmo deveria acontecer com as flores, folhagens e plantas'', acredita.
Outra dificuldade é a falta de infra-estrutura tanto rodoviária como aeroportuária específica para setor. Os deslocamentos são enormes e caros. Para se ter uma idéia, o deslocamento de uma carga de flores de Brasília para São Paulo é mais cara do que São Paulo-Amsterdam (Holanda), afirma Léa. O transporte terrestre de flores é quase impossível devido à qualidade das rodovias brasileiras. O transporte aéreo é caro e os aeroportos não têm câmaras frigoríficas para armazenar os produtos. Além disso, não há mão-de-obra qualificada para lidar com este tipo de produto.
Aliado a essas duas grandes dificuldades, o mercado de flores tropicais ainda enfrenta a falta de hábito do consumidor brasileiro, acostumado a comprar as flores de clima temperado. Mas as flores tropicais estão aos poucos conquistando o gosto de paisagistas e decoradores. Como o consumo interno deste tipo de flor ainda é pequeno, a produção também não cresce.
Segundo Ribeiro, o setor de flores é o tipo de atividade que o desenvolvimento sustentável recomenda, já que emprega uma grande quantidade de mão-de-obra (cada hectare emprega em média 15 pessoas), é um produto com alto valor agregado, gerando renda para o sustento de muitas famílias e preserva o meio ambiente.
É exatamente o que prega o atual governo. É um produto que é cultivado em pequenas propriedades, gera emprego e tem grande aceitabilidade no mercado internacional. Cabe ao governo agora incentivar o segmento", diz o superintendente.
Países europeus e asiáticos já descobriram isso. A indústria das flores movimenta por ano no mundo cerca de US$ 9 bilhões. Os europeus, segundo Léa, não só exportam flores, como estão virando especialistas em exportar arranjos prontos, cujo valor é muito superior às hastes vendidas pelos brasileiros. ''Há países que compram flores de todo o mundo e desenvolveram indústrias de arranjos, que produzem em série. Assim compram por pouco e vendem por muito''. (Fonte: Agência Sebrae de Notícias)


