Dificuldade emperra trabalho de técnicos na Fazenda 7 Mil
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terça-feira, 12 de junho de 2001
Maurício BorgesDe Apucarana 
Técnicos da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), que há uma semana trabalham na tentativa de vacinar o gado da Fazenda 7 Mil, em Jardim Alegre, região do Vale do Ivaí, conseguiram ontem imunizar um lote de 46 animais. O prazo para vacinação contra a febre aftosa terminou no dia 20 de maio, mas não foi cumprido na Fazenda 7 Mil, que está ocupada há mais de três anos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
Depois de exaustivas negociações com líderes do acampamento, a Seab conseguiu fechar um acordo, para permitir que uma equipe composta de técnicos e ajudantes pudesse entrar na fazenda. Até o prazo dado pela Seab, veterinários da Defesa Sanitária Animal (DSA), com o apoio de peões do MST, haviam conseguido imunizar apenas 92 bovinos.
Ao avaliar as condições da fazenda, de 5.731 alqueires e cerca de 70% de pastagens, técnicos da DSA e Seab admitiram que o trabalho seria mesmo muito difícil. Além das dimensões da propriedade, os animais estão arredios e alongados em pastagens altas. A maioria está sem qualquer tipo de manejo há três anos.
Para fechar e vacinar o rebanho só mesmo com o apoio de peões experientes e cavalos apropriados para a região, que tem relevo bastante acidentado. Como o MST não permite a entrada de peões do proprietário da 7 Mil, Flávio Pinho de Almeida, o Estado resolveu contratar um helicóptero para monitorar os animais, auxiliando os técnicos em terra.
Flávio Pinho de Almeida estima que ainda existam mais de dois mil bovinos largados nas pastagens da fazenda. Mas líderes do MST discordam, afirmando que não são mais de 700. Caso a febre aftosa chegue ao Paraná através de um foco na Fazenda 7 Mil, Pinho de Almeida já anunciou que irá responsabilizar o Estado.


