Produtora agroecológica há 14 anos na cidade de Campo Magro, na região de Curitiba, Maria Salete Escher viu sua vida se transformar quando decidiu ingressar no sistema. Até então ela questionava o uso dos agrotóxicos para a saúde da sua família, além das crises de produção e prejuízos do sistema tradicional.
Salete, o marido e dois filhos resolveram trabalhar com hortaliças, frutas e até no processamento de geleias, molho de tomate, pães, leite e iogurte, tudo orgânico. "Há dois anos nos adequamos a todas as normas sanitárias e construímos a nossa leiteria, porque percebemos um nicho de mercado interessante", disse.
A produtora explica que há alguns anos o seu maior desafio era a comercialização dos produtos agroecológicos. Hoje ela acha que este problema está superado, devido às feiras e outros locais de venda que evitam intermediários, além do PAA e Pnae. "O mais difícil para mim atualmente é a questão da mão de obra. A produção orgânica exige muito mais trabalho e se torna um princípio de vida. Por outro lado, vemos hoje o consumidor reconhecendo nosso produto, e através da venda direta ele sabe exatamente quem está produzindo aquilo que está comprando", complementou.
Em relação a faturamento, Salete vê hoje um incremento de 30% em relação ao sistema tradicional, mas como ela também trabalha com o processamento de alguns produtos, consegue agregar um valor ainda maior, que gira em torno de 50% para esses casos. "O processamento me garante renda para o ano inteiro, já que a comercialização pode acontecer a longo prazo. Para nós, isso foi uma caderneta de poupança, com um mínimo de planejamento da renda durante o ano". (V.L.)

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