Dificuldade de embarque eleva o preço do açúcar
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segunda-feira, 02 de agosto de 2010
Das agências 
São Paulo - Os preços elevados do açúcar fizeram os consumidores adiarem as compras do produto à espera de um valor mais favorável. O resultado foi uma ''queima'' dos estoques, que já eram pequenos devido ao deficit mundial do produto. Caíram para patamares críticos.
Ao retornar ao mercado, os países importadores estão encontrando dificuldades de abastecimento, principalmente no Brasil, o maior fornecedor mundial de açúcar e, neste momento, o único.
Essa dificuldade se deve a um problema de logística de portos, agravado ainda pelas chuvas.
Esse gargalo nos portos é provocado por uma ''realidade de mercado'', quando todos os países consumidores estão recompondo estoques, diz Plinio Nastari, presidente da Datagro.
Como o apetite dos importadores é grande, os portos brasileiros estão com dificuldades na capacidade física de embarques.
A recomposição de estoques vem de refinarias autônomas - de Dubai, Arábia Saudita e Nigéria - e de países consumidores - Paquistão, China, Rússia e Estados Unidos -, diz Nastari.
Ágio
A procura por açúcar é tão grande que os importadores pagam um prêmio pelo produto brasileiro, uma situação inusitada em relação ao que ocorre normalmente nesse período do ano.
O açúcar está sendo negociado a 19,4 centavos de dólar por libra-peso em Nova York, o que corresponde a US$ 445 por tonelada para o produto brasileiro. Além desse valor, há um acréscimo de US$ 25,2 por tonelada como ágio, ou seja, 5,7% a mais.
Normalmente se observa um desconto no açúcar brasileiro nesse período, devido à boa oferta do país no mercado, diz Nastari.
Devido ao preço mais favorável do açúcar em relação ao do álcool, as usinas brasileiras aumentaram a porcentagem de cana moída para a produção de açúcar.
Exportações
Ontem, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior informou que as exportações brasileiras de açúcar atingiram em julho o volume recorde de 2,9 milhões de toneladas embarcados. O montante é 15,8% maior que os 2,5 milhões de t verificados em junho, e 25% superior que o registrado em julho de 2009, quando o volume exportado ficou em 2,32 milhões de toneladas.
A receita obtida com as exportações também foram recordes. Em julho, a receita foi de US$ 1,235 bilhão, 12,3% superior aos US$ 1,09 bilhão obtidos em junho e 62,32% maior que os US$ 761,2 milhões registrados em igual período da safra anterior.


