São Paulo - Os resultados da Sondagem Especial - Trabalhador Qualificado, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), reforçam a urgência do aumento de investimentos para elevar a qualidade da educação básica no Brasil. Conforme a pesquisa, 69% das companhias enfrentam dificuldades com a falta de trabalhador qualificado e, por isso, 78% desse grupo investe em capacitação de funcionários. Porém, cerca de metade (52%) aponta dificuldades na qualificação por conta de uma educação básica ruim dos trabalhadores.
''Temos de agir agora porque esse é um problema que leva gerações para resolver'', disse o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca. Segundo ele, o trabalhador com base educacional fraca apresenta maior dificuldade para aprender processos e operar máquinas e a qualificação é mais demorada e cara. A consequência, afirma Fonseca, é a queda de competitividade da indústria e a perda de mercado para importações.
Segundo a sondagem, 38% das 1.616 empresas consultadas também temem treinar o funcionário e depois perdê-lo para a concorrência. Só entre as grandes, o porcentual chega a 46%. Por isso, 40% das empresas em geral informaram que investem em políticas de retenção de talentos, estratégia que só fica atrás de ações para capacitação do trabalhador.
Outro fator que dificulta a capacitação é a falta de cursos adequados às necessidades da empresa. Esse item foi citado por 33% delas. O problema pode estar tanto na falta de aproximação entre o mercado e os centros de formação quanto na necessidade de o trabalhador aprender processos ou operar máquinas específicas para determinada empresa.
No entanto, para o analista de Políticas e Indústria da CNI, Marcelo Azevedo, em alguns casos há um distanciamento entre a formação de profissionais e o que deseja o mercado. ''É necessário que a academia, ao formar o engenheiro, por exemplo, atenda também a demanda da economia'', disse.
Os setores nos quais o problema da falta de mão de obra qualificada é mais comum, conforme a Sondagem Especial, são vestuário (a dificuldade foi apontada por 84% das empresas do setor); outros equipamentos de transporte - segmento que vai de bicicletas a aviões, com exceção de automóveis -, com 83%; limpeza e perfumaria, com 82%; e móveis, com 80%. Em 25 dos 26 setores analisados ao menos metade das companhias informou sofrer com a falta de trabalhador qualificado. Refino de petróleo foi o único a ficar abaixo dessa proporção: 48% das empresas citaram ter o problema.
A falta de qualificação da mão de obra afeta, primeiramente, a busca por redução de desperdícios na cadeia de produção e, em segundo lugar, a qualidade dos produtos. A área da produção é afetada principalmente pela falta de engenheiros (61% delas apontaram dificuldade em encontrar esse profissional), técnicos (82%) e operadores (94%).

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