As dificuldades do pequeno empresário Celso Mancia começaram quando ele resolveu montar um negócio próprio, após ser demitido da empresa que trabalhava até junho de 1997. Com uma vida organizada, estabilizada e de alto padrão, Mancia passou a conviver com o terror das visitas de oficiais de Justiça batendo à sua porta. Desde que montou a empresa própria de beneficiamento de ferro e aço, o seu orçamento mensal baixou consideravelmente. A margem de lucro bruto da empresa, em torno de 15%, não é suficiente para pagar todos os custos fixos, como aluguel, folha de pagamento, tributos, manutenção de um caminhão para o transporte da matéria-prima, tarifas de água, luz e telefone e ainda o pedido de pensão alimentícia da ex-mulher no valor de 30 salários mínimos.
Com um pró-labore de R$ 3.000 por mês, o padrão de vida familiar caiu e o problema se transformou num sério conflito doméstico. Mancia se separou da mulher e diz que não tem conseguido pagar a pensão reivindicada. Por isso, tem pedido de prisão decretado contra ele. O empresário já propôs em diversas várias de família em Curitiba a redução da pensão para 50% dos seus vencimentos, mas afirma que não conseguiu ser atendido. ‘‘Não consegui sensibilizar as autoridades de que o pedido da minha ex-mulher está fora da realidade’’, diz. ‘‘Antes, quando estava casado e empregado, tinha um padrão de vida, mas agora, dono de uma pequena empresa, não consigo atender o pedido de pensão alimentícia, calculado quando tinha salário fixo e não enfrentava as dificuldades do mercado’’.
Sem capital de giro, ele critica o sistema financeiro, ‘‘que não dá oportunidade de crédito para os pequenos e médios’’. Mancia mantém 10 empregados e está pensando em reduzir essa estrutura, para evitar o desembolso de 89% de encargos sobre a folha de pagamentos. ‘‘ A tendência é reduzir a estrutura da empresa para assegurar o patrimônio construído no passado. Hoje, se o empresário pensa em se desfazer de algum bem para colocar no negócio próprio, corre o risco de não ter o retorno desse investimento e perder o bem’’, afirma.

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