Na Itália, os produtores paranaenses encerraram a visita de 15 dias à Europa, onde constataram as diferenças sociais e econômicas que influenciam o agronegócio de cada país. Na Itália, o cooperativismo e o associativismo entre os produtores também é sólido, a exemplo do que foi visto na França. A produção de frutas na região norte do país se viabilizou economicamente apesar da forte concorrência com os países do Leste Europeu, que têm um custo de produção menor, em função da mão-de-obra mais barata.
Na região de Trentino, quem tem três hectares de terra, área considerada mínima no Paraná, consegue um faturamento anual de US$ 150 mil com o plantio de pequenas frutas como morangos, framboesas, amoras e cerejas. Para atingir esse resultado, os produtores empregam alta tecnologia e a base da mão-de-obra é familiar.
Mas a maior vantagem desses agricultores está na comercialização da produção. A cooperativa da região, a Sant’Orsola recebe a produção e explora um nicho de mercado, que é o de frutas frescas. Já a produção dessas pequenas frutas vindas do Leste Europeu são destinadas à indústria. A cooperativa foi criada em 1972 com 30 e já tem 1 mil sócios. O produtor entrega toda sua produção à cooperativa, sem criar problemas de infidelidade que é a grande preocupação do cooperativismo brasileiro.
A mercadoria é classificada com base na qualidade e como o produto é perecível, os preços são fixados semanalmente de acordo com as vendas no mercado. O faturamento bruto da Sant’Orsola no ano passado alcançou R$ 43 bilhões de liras (o equivalente a R$ 43 milhões). A cooperativa agrega valor à produção com o sistema de classificação, padronização das frutas e de embalagens. Com isso, o mercado paga até oito vezes mais caro por uma caixa de framboesa, em relação ao que as indústrias pagam pela produção do Leste Europeu.
A cooperativa têm uma grande estrutura de recebimento, tratamento e distribuição da fruta, o que impede que os produtores fiquem nas mãos de grandes grupos econômicos como os supermercados, observou Sandro Back, engenheiro agrônomo da Ocepar, que acompanhou a visita. ‘‘Com uma estrutura de comercialização eficiente, o produtor não precisa entregar sua produção a qualquer preço como existe no Brasil’’, comparou.
Na Itália, 50% do mercado de frutas frescas passam por grandes distribuidores, que por sua vez abastecem os mercados, 30% das frutas são direcionadas para pequenos pontos de vendas e 20% para os ambulantes.
Produção de leiteO sistema de produção de leite na Itália, como em toda Europa, é estabelecido em cotas fixadas pela Comunidade Econômica Européia. O país produz 100 milhões de litros por ano, que corresponde a apenas 50% de seu consumo. O restante é importado da Alemanha, França e Holanda. Os produtores não estão satisfeitos com essa divisão porque têm potencial técnico para produzir mais e atender todo o mercado interno, mas em função de restrições políticas são obrigados a reduzir a produção. Quem ultrapassar o limite permitido de produção, paga uma multa equivalente ao pagamento de 75% sobre o valor do leite produzido.

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