Diferenças de prioridades são comuns
São Paulo - Envolver toda a família no processo de reorganização de orçamento é, antes de um empenho financeiro, um trabalho psicológico para que todos os membros da família saibam a importância de trabalharem juntos por um objetivo comum. ''Muitas vezes há desentendimentos porque as pessoas têm objetivos distintos'', afirma Magdalena Ramos, terapeuta de casal e família e coordenadora do Núcleo de Estudos da Família da PUC-SP.
Por isso ela acredita que uma boa conversa é o melhor ponto de partida para qualquer decisão de plano financeiro. Entre o casal em primeiro lugar, principalmente se os filhos ainda são pequenos. ''O casal deve conversar e destrinchar muito bem o que esperam atingir'', diz ela.
As diferenças de prioridades não são incomuns nas famílias. ''Às vezes, a mãe acha importante dar uma boa educação para os filhos, mas o pai acha mais importante pagar um bom plano de saúde'', cita Magdalena. O casal deve conversar e definir prioridades e tem de saber que pode ter de ceder para chegar a um acordo. ''As pessoas são diferentes, têm prioridades diferentes, e só vão resolver bem os objetivos da família com uma boa conversa.''
Qualquer que seja o objetivo, ninguém gosta de cortar gastos, lembra a terapeuta. ''Ter muita clareza do que está acontecendo ajuda a situação a fluir de maneira melhor'', sugere. Isso faz com que todos se sintam responsáveis pelos bons resultados. ''Ter uma só pessoa que controle não é muito bom, ela fica com o papel de carcereiro'', alerta Magdalena.
Ela acredita que o melhor é que todos da família policiem uns aos outros. Mas sem acusações. ''Sempre se deve chamar a atenção com muita calma de quem deixou a luz acesa ou a torneira aberta. Se o pai fala bravo ou grita, às vezes a criança acaba desobedecendo como uma forma de agredir, mesmo que inconsciente'' diz ela. O respeito é a maior arma.
Se a família decidiu economizar para comprar um novo imóvel, por exemplo, a recomendação é de que os pais mostrem aos filhos como a situação vai melhorar para todos. ''Mostrar ao filho que ele vai ganhar um quarto só dele, por exemplo, ajuda a criança a entender que a economia é por uma boa causa.''
E se os filhos estão crescidos e trabalham, a terapeuta acredita que devem participar do orçamento doméstico. ''É uma forma de torná-lo responsável'', diz ela. ''Um dia ele vai ter de administrar as suas finanças.''
Como o filho vai participar é uma questão a ser avaliada caso a caso. ''Mesmo que a família não esteja passando por uma crise, é importante que o filho participe.'' (AE)





