Rio de Janeiro- A diferença entre a média salarial da população e dos 25% com menor rendimento caiu de 5,4 vezes no primeiro semestre de 1995 para 4,2 vezes no primeiro semestre deste ano. A diferença, apesar de ainda grande, caiu em 22% no período. O dado consta de um estudo divulgado ontem pelo Banco Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que busca demonstrar a importância do salário mínimo na redução da desigualdade no trabalho.
O levantamento afirma que o grupo dos 25% mais pobres no mercado de trabalho é a parcela ''mais afetada pela política de valorização do salário mínimo''. Segundo o estudo, assinado pelo economista Antonio Prado, não houve nos últimos dez anos diferenças em termos de crescimento da economia ou dinamismo setorial que justifique a redução da distância dos mais pobres com relação à média do mercado.
''O salário mínimo apresenta-se, portanto, como fator determinante principal'', registra o trabalho. Depois de registrar que o mínimo tem 60 anos no País e sempre foi alvo de ''controvérsias intensas'', o autor argumenta que tem havido valorização contínua do salário mínimo e os resultados dessa política incluem a queda ''significativa'' da pobreza dentre os trabalhadores da pirâmide social e há recuo consistente na desigualdade das rendas sociais, além de citar a abrangência das políticas de transferências.
Na prática, Antonio Prado explica que há pobres no mercado de trabalho, que podem ser atendidos pelo salário mínimo, e fora do mercado, que ele chama de excluídos, para os quais defende a importância dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. Por isso, ele explica que não faz sentido opor os gastos com aumentos do mínimo às despesas das receitas usadas para as transferências.

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