Rio - O governo estuda a possibilidade de aumentar dos atuais 3% para 4% a mistura de biocombustível no óleo diesel ainda este ano. De acordo com o diretor geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, a medida pode beneficiar o País, que ainda é importador de diesel. Mas falta ainda um aval do Ministério de Minas e Energia e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) para a medida ser adotada.
No ano passado, segundo dados da ANP, a adição de 3% de biodiesel - um ponto porcentual a mais do que o previsto inicialmente - contribuiu para reduzir em R$ 1 bilhão o custo da balança comercial do petróleo. Se não fosse a entrada do biodiesel na matriz energética, o Brasil teria importado 15,2% do total de diesel consumido no país. Com a adição, o volume importado foi de 12,7%, porcentual bem maior do que em 2007, quando a importação de diesel foi de 9,8% do total consumido.
De acordo com o superintendente de Abastecimento da reguladora, Edson Silva, já há capacidade ociosa na produção de biodiesel no país para atender a demanda de B4 (adição de 4% de biodiesel). Ele estima que com a adição de 4% seriam necessários 1,6 bilhão de litros do biodiesel no país, em vez dos atuais 1 bilhão. Atualmente, disse Silva, a capacidade de produção nas 62 unidades processadoras é de 3 bilhões de litros. Pela atual legislação, a mistura só aumentaria para 5% em 2013.
Ainda de acordo com os dados que a ANP divulgou ontem, a crise financeira quase não surtiu reflexo sobre o consumo interno de combustíveis. A demanda total foi recorde em 2008, com aumento de 8,4%, passando de 97,7 bilhões de litros em 2007 para 105,9 bilhões de litros. Os dados específicos do mês de dezembro não foram divulgados pela reguladora.
Segundo Silva, este consumo não teve qualquer reflexo da crise em outubro e novembro. Apenas nos últimos 15 dias de dezembro houve queda no consumo de diesel, mas ele não soube dizer qual o volume. Ainda segundo ele, parte desta queda pode ser atribuída a efeitos sazonais.
Pouco antes da apresentação dos números referentes a 2008 durante seminário promovido pela ANP, o diretor geral da reguladora havia afirmado que o diesel registrou queda de 3,2% no consumo em dezembro frente ao mês anterior. Ainda segundo ele, a gasolina do tipo C (que recebe a adição de álcool anidro) teve queda de 2,8% em sua demanda no país.
De acordo com os dados da ANP, o consumo de diesel e de gasolina teve acréscimo de 7,7% e 3,49% respectivamente em 2008 sobre o ano anterior. ''É bem possível que tenhamos uma retração no consumo este ano em relação à média de crescimento verificada no ano passado, mas ainda assim acreditamos que seja possível apresentar resultado positivo'', disse Silva.

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