Diesel está mais caro no Paraná
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de dezembro de 2003
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba A Petrobras confirmou ontem o reajuste do óleo diesel em 2,11%,. que está vigorando desde sábado passado, válido apenas para o Paraná e Santa Catarina. Essa é a primeira vez que a empresa adota política regional para aumento de preços. A Petrobras não deu detalhes sobre a decisão, informando apenas que se trata de uma decisão corporativa. Com isso, o preço do litro do diesel deve ter aumento de R$ 0,03.
O preço dos derivados do petróleo vendidos pela Petrobras é determinado conforme os valores internacionais. Quando há reajuste ou queda do valor, vale para todo o Brasil. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) informou, através da assessoria de imprensa, que o mercado de combustíveis no Brasil é livre e, por isso, a atitude da Petrobras é legal.
O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis no Paraná (Sindicombustíveis) condenou o reajuste de diesel determinado pela Petrobras. ''Na verdade, não há explicação para o aumento'', disse o presidente da entidade, Roberto Fregonese. Segundo ele, o consumidor vai sofrer com o repasse de custos. ''A alta do diesel tem uma dimensão muito grande, sendo incorporado por qualquer produto.''
Em nota divulgada ontem, a Petrobras negou problemas de operação na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. Segundo a empresa, o consumo de diesel no Paraná está elevado para esta época. Por isso outras unidades estão ajudando no abastecimento. Segundo a empresa, a Repar ''opera normalmente, entregando todos os derivados, incluindo gasolina e óleo diesel''.
No entanto, entidades ligadas ao transporte negam que há aumento no consumo de diesel. O diretor executivo da Federação dos Transportes do Paraná (Fetranspar), Sérgio Malucelli, disse que não há nenhum alteração em relação a anos anteriores. ''A decisão da Petrobras é altamente discriminatória. Não há nenhum consumo atípico, o que é atípico é o aumento'', declarou. O uso de diesel no maquinário agrícola no final do ano, época de plantio de soja, também é considerado normal.
Para o Sindicombustíveis, outra situação grave no Paraná vai se repetir no ano que vem, quando a Repar fará parada de três meses para manutenção. A Petrobras sustenta que o abastecimento será mantido normalmente, por meio de estoques de produto ou deslocamento dos clientes para retirada dos produtos em outras refinarias. Segundo Fregonese, a refinadora não tem estoque para atender a demanda. ''Para trazer de Paulínia (São Paulo), que é a refinaria mais próxima, haverá aumento de custo de R$ 0,05 a R$ 0,06 por litro'', reclamou.


