Curitiba - O aumento de 6% no preço do diesel anunciado pela Petrobras para entrar em vigor a partir de segunda-feira vai refletir diretamente no bolso do consumidor. Quem tem veículo movido a este tipo de combustível vai pagar cerca de R$ 0,10 a mais por litro. A previsão é que o frete fique cerca de 4% mais caro, inclusive o transporte agrícola.
A intenção da Petrobras com o aumento é reduzir a defasagem do combustível em relação ao mercado internacional. Segundo a estatal, este reajuste foi definido levando em consideração a política de preços da companhia, que busca alinhar o preço dos derivados aos valores praticados no mercado internacional em uma perspectiva de médio e longo prazos.
Este é o segundo reajuste do diesel no Brasil em menos de um mês. Em 22 de junho, a Petrobras anunciou um aumento de quase 4% no valor do diesel e de 7,83% no preço da gasolina nas refinarias, medida que passou a valer em 25 de junho.
Naquele momento, o governo federal decidiu reduzir a zero as alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) incidente no diesel e na gasolina para neutralizar os impactos dos aumentos para o consumidor final.
A Petrobras tinha informado no fim de junho que buscaria paridade de preços dos combustíveis entre o mercado doméstico e o internacional nos próximos anos para reforçar seu caixa e impulsionar seus investimentos.
''Fomos surpreendidos com o aumento de 6% do diesel. Já tivemos um reajuste em 25 de junho que foi absorvido pela Cide'', disse o presidente do Sindicombustíveis-PR, Roberto Fregonese.
Segundo ele, uma parte dos distribuidores já repassou o aumento em cerca de R$ 0,03 a R$ 0,04 por litro ontem. Hoje, a média de preço do diesel no Estado é de R$ 1,97. Com o aumento de R$ 0,10 previsto pelo Sindicombustíveis-PR, o litro iria para R$ 2,07. A média do litro em Curitiba está em R$ 1,98 e, em Londrina, em R$ 1,95.
Fregonese disse que se o governo fosse alinhar o preço do diesel com o mercado internacional teria que subir 23%. De acordo com ele, atualmente, o diesel representa 54% do combustível vendido no País. Por isso, o reajuste deve refletir para toda a sociedade em produtos, serviços, na agricultura e no transporte coletivo. ''Quem come tomate, vai pagar mais caro pelo tomate'', exemplificou.
O presidente do Sindicombustíveis acredita que o governo deveria ter subido a gasolina e não o diesel, que tem muito mais reflexos para o consumidor. Mesmo com o aumento do comércio de carros, ele prevê que haverá retração nas vendas dos postos de combustíveis.
''Quem vai pagar o aumento do diesel é o consumidor final'', afirmou o diretor executivo da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), Sérgio Malucelli. Ele acredita que o frete tenha um aumento automático de 4% e destacou que o aumento do diesel vai incidir diretamente no setor produtivo, que é responsável por gerar emprego e renda no País.
Segundo o presidente do Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), Alísio Vaz, o repasse de preço para o diesel é uma decisão individual de cada distribuidora. Ele acredita que há um potencial de impacto de 4% a 5% para o consumidor final. ''Há lugares que o repasse, potencialmente, pode ser maior que 4% em função do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)'', declarou.

Imagem ilustrativa da imagem Diesel deve subir R$ 0,10 nas bombas e encarecer frete
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