Dieese vê terrorismo para elevar juros
Para o economista Sandro Silva, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o mercado financeiro e a mídia fazem terrorismo com os números para justificar o aumento dos juros, medida de interesse dos bancos. "Somente em 2011, o governo pagou R$ 237 bilhões em juros da dívida interna, o que correspondeu a 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Qualquer alteração por menor que seja na taxa básica de juros representa muito para os bancos", afirma.
Para ele, o aumento da Selic não terá efeito para conter a inflação, tendo em vista que a maior pressão sobre os preços vem dos alimentos. "Só para você ter uma ideia, enquanto o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) chegou em 6,59% em março, a inflação isolada do grupo de alimentação foi de 13,49%", afirma. Ou seja, os alimentos foram responsáveis por metade da inflação dos últimos 12 meses.
E os preços aumentaram devido a fatores climáticos e de redução de área plantada de alguns produtos. "Subir juros não resolve esses problemas", destaca. De acordo com Silva, a tendência é que a inflação dos alimentos desacelere nos próximos meses devido às safras recordes. "Tudo indica que a inflação geral tende a desacelerar e não tem por que aumentar juros", declara.
O economista afirma estar preocupado com a subida da Selic num momento em que a economia ainda não deu sinais de forte recuperação. "Está crescendo pouco e, com juros mais altos, tende a piorar, porque os investimentos serão menores", afirma. (N.B.)





