Dieese tem maior alta em 2 anos
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sábado, 06 de fevereiro de 1999
Agência Folha 
Os aumentos de preços começam a ocorrer em ritmo mais acentuado em São Paulo. O Indice de Custo de Vida do Dieese registrou, em janeiro, alta de 1,38% nos preços da capital paulista, a maior taxa em dois anos.
Na quarta-feira, a Fipe já havia divulgado mudanças nos rumos da inflação, ao anunciar taxa de 0,5% no seu Indice de Preços ao Consumidor. Foi o primeiro aumento em sete meses.
A alta do custo de vida em janeiro foi acentuada no índice do Dieese, mas ainda é pequeno o efeito da desvalorização do real. Educação e leitura, saúde e transportes foram os principais focos de pressão no índice e ocorreriam mesmo sem a desvalorização cambial, diz a entidade. Os três itens foram responsáveis por uma inflação de 0,87% no mês passado. Nos últimos 12 meses, a alta do ICV do Dieese foi de 1,18%, com destaque para saúde (8,5%), educação e leitura (4,71%) e alimentação (2,72%).
A taxa de inflação pelo ICV do Dieese, em 1999, deverá ficar entre 4% e 6%. A informação é da supervisora do ICV, Cornélia Nogueira Porto. Esta taxa está baseada em um exercício feito pelo Dieese com base em uma desvalorização do câmbio da ordem de 30%.
Mesmo com o acordo feito ontem entre o ministro Pedro Malan e o vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Stanley Fischer, que estabelece um superávit primário (receitas menos despesas, exceto juros sobre a dívida) de 3,5%, apesar de para alcançar esta meta possa haver aumentos de impostos, Cornélia acha que a inflação pelo ICV não passará dos 6%.
O custo médio da cesta básica subiu 2,34% na primeira semana deste mês em São Paulo. A pressão foi dos alimentos, que subiram 2,78%. Segundo a pesquisa diária feita em 70 supermercados da capital pelo Procon/Dieese, os maiores aumentos foram do café e da carne de segunda, que subiram 6,79% e 6,10%, respectivamente. Já o feijão carioquinha teve queda de 3,66%.
Na semana, os produtos de limpeza subiram 1,11%, puxados pela alta de 1,68% do sabão em pó. Já os itens de higiene pessoal acumulam queda de 0,18%, devido a retração do creme dental (-5,13%). Desde a desvalorização do real, a cesta básica subiu 2,61%. Desde o início do Plano Real, a cesta acumula aumento de 17,32%.


