Dieese quer imposto sobre grandes fortunas
Para o economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Fabiano Camargo da Silva, o governo federal vem fazendo uma reforma tributária fatiada. Ele acredita que a desoneração da cesta básica é uma medida que veio para ficar. "Consideramos essa medida de longo prazo e muito positiva para os brasileiros", afirma.
Apesar disso, espera do governo uma reforma maior que venha beneficiar os menos favorecidos. "A maior parte dos nossos impostos incide sobre o consumo. E deveria ser o contrário, ou seja, incidir mais sobre renda e patrimônio", declara. O instituto defende a implantação do imposto sobre grandes fortunas. Ele reconhece, no entanto, que o cenário político não é favorável a essa mudança. "Fazer a reforma seria um processo trabalhoso e, próximo de eleição, seria muito complicado", ressalta.
Em nota técnica distribuída ontem, o Dieese diz que a "estrutura tributária brasileira é reconhecidamente regressiva, ou seja, o peso dos tributos diminui na medida em que o poder aquisitivo das famílias é maior". Segundo o documento, os 10% das famílias mais pobres do País destinam 32% de sua renda para o pagamento de impostos, enquanto os 10% mais ricos contribuem com 21%. "Esta situação é contrária ao princípio da capacidade contributiva inscrito na Constituição Federal", diz a nota. (N.B.)





