São PauloA inflação para 2002 deve ficar entre 7% e 8%. A expectativa é de Cornélia Nogueira Porto, coordenadora de preços do Departamento Intersindical de Estatística de Estudos Socio-Econômicos (Dieese). Se a estimativa de 8% for confirmada, o resultado deste ano será 1,42 pontos percentuais inferior ao de 2001, de 9,42%. De acordo com ela, os serviços públicos continuarão puxando os preços para cima neste ano.
Em termos de custo de vida, 2002 terá características diferentes de 2001, que foi castigado pelo aumento de tarifas públicas. Em 2001, o preço da cesta básica subiu nas 16 capitais brasileiras pesquisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) em 2001. O maior aumento foi registrado em Florianópolis, onde a cesta subiu 23,79% no ano passado. No lado contrário, a menor variação foi encontrada em Recife (PE), onde a cesta básica subiu 0,55%.
‘‘A elevação dessas tarifas deverá ser influenciada pelo modo com que as empresas foram privatizadas no governo Fernando Henrique, tendo como índice de reajuste o IGP-M, que deverá ficar entre 11% e 12%’’, afirmou.
De acordo com ela, o dólar não deverá influenciar os preços em 2002, já que o impacto da alta do dólar no ano passado já foi precificado. ‘‘As empresas não poderão mais utilizar o câmbio como desculpa para subirem os preços de seus produtos e serviços, a não ser que outras altas aconteçam’’, salientou. Para janeiro, a coordenadora ressalta que o aumento das taxas de matrícula e mensalidades escolares deverá contribuir para alta do Índice do Custo de Vida (ICV) no mês.
Até o momento, segundo ela, a variação média dessas taxas é de 8%. Cornélia disse ainda que essa elevação poderá ser compensada por uma redução no preço da gasolina. ‘‘A queda não está totalmente concretizada e não sabemos ainda de quanto ela poderá ser’’, disse. Por fim, ela observou que o aumento da tarifa de energia elétrica no final do ano passado deverá refletir apenas este ano.

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