Dieese prevê fim do dinheiro em até dois anos
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) contestou ontem o preço mínimo fixado pelo governo do Estado para o leilão de venda da Copel. De acordo com a avaliação feita por empresas contratadas, a companhia valeria atualmente R$ 10,5 bilhões. O montante que cabe ao governo do Estado, que é de 45% do capital total da estatal, varia entre R$ 4,3 bilhões e R$ 5,1 bilhões.
O supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro, afirmou que foram usados critérios técnicos e políticos para a avaliação da empresa. Foram utilizados os balanços de fluxo de caixa dos últimos dez anos, mas que teriam sido subestimados. Já as necessidades de empréstimos e investimentos teriam sido superestimadas. ''Poderia se chegar a um preço muito maior. Eles consideram sempre para a avaliação o valor contábil e não o patrimônio''. O valor patrimonial chegaria, segundo o economista, a R$ 25,5 bilhões.
Cordeiro disse que o baixo preço interessa politicamente ao governo do Estado que terá ágio na venda da estatal e dirá que o leilão foi um sucesso, a exemplo do que ocorreu com o Banco do Estado do Paraná (Banestado) durante o processo de venda para o Itaú. ''Para as empresas o ágio também interessa. As empresas descontam até 30% do ágio no valor do imposto de renda. Isso atrairá muito mais investidores e dará uma impressão errada para a população de que o governo do Estado saiu ganhando''.
Os estudos do Dieese revelam ainda que se a Copel for vendida pelo preço mínimo, em dois anos o dinheiro terá terminado. A dívida mensal do Estado com a folha de pagamento de aposentados e pensionistas é de R$ 90 milhões. ''Essa não é uma solução para as finanças do Paraná'', avaliou.
(Luciana Pombo, de Curitiba)





