Os produtos que compõem a cesta básica para o trabalhador ainda não sofreram o impacto direto da desvalorização do real, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). A pesquisa feita durante o mês de janeiro em 80 estabelecimentos comerciais de Curitiba mostrou que houve, inclusive, uma redução média de 0,6% nos 13 itens pesquisados em relação a dezembro. O recuo nos preços se deu pelo segundo mês consecutivo, mas há uma expectativa de recuperação dos preços a partir deste mês.
Os pesquisadores do Dieese levantaram os preços nestes últimos sete dias e constataram que produtos como o pão e a carne começaram a ser reajustados, o que provocará um impacto no custo da cesta básica neste mês. Mas pela média mensal de janeiro, o preço do pão ainda se manteve estável, enquanto a carne (coxão mole) teve um reajuste de 0,87%, passando a custar R$ 4,63 o quilo. Outro produto que ficou mais caro foi a banana com um aumento de 7,4% (R$ 1,59).
A recuperação do preço dos itens que compõem a cesta básica é prevista ainda por causa dos produtos importados. O País importa hoje 75% do trigo e 25% do arroz consumido pelos brasileiros. Além destes dois produtos, há o caso da soja e do café que são cotados em dólar no mercado internacional.
O economista do Dieese, Nelson Karan, avalia que a redução no custo da cesta básica em janeiro pode refletir num estoque maior dos produtos nos supermercados, feiras e no comércio varejista, de modo geral. ‘‘É possível ainda que estejam sendo feitas negociações com os produtores para segurar um pouco o aumento’’, afirmou. Além de Curitiba, somente em João Pessoa (PB), Salvador (BA) e Vitória (ES) houve queda no custo da cesta básica.
Entre os 13 itens que compõem a cesta básica curitibana, nove tiveram retração no preço sobre o mês de dezembro. O produto que ficou mais barato foi a batata com uma variação negativa de 11,4%. Em seguida aparece o arroz com queda de 10,9% e o tomate com queda de 6,3%.
Para comprar os produtos da cesta básica, o trabalhador gasta R$ 95,56. O valor é R$ 30 a mais do que se gastava em julho de 1994, quando foi implantado o Plano Real. Apesar do aumento, o reajuste da cesta básica ficou abaixo da inflação. De julho de 94 até dezembro de 98, a inflação foi de 107,9%, segundo o Índice de Custo de Vida do Dieese. No mesmo período os alimentos da cesta básica ficaram 49,4% mais caros.
A cesta básica de Curitiba é a quarta mais cara do País. As cestas básicas mais caras são as de São Paulo (R$ 104,86), Brasília (R$ 98,42) e Porto Alegre (R$ 97,42). A mais barata pode ser comprada em Vitória, onde ela custa R$ 81,32.

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