Convênio rompidoEconomistas e sindicalistas do Dieese se reúnem para explicar o fim da PED: ‘‘razões políticas’’O Dieese começou a procurar novos parceiros para manter a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). O primeiro interessado em firmar um convênio é o Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná. As negociações começaram em dezembro, quando ficou evidente que o governo do Estado, através do Ipardes (Instituto Parananese de Desenvolvimento Econômico e Social), romperia a pesquisa. A diretoria de departamento intersindical acusou ontem o governo de ter cancelado a pesquisa por ‘‘razões políticas’’.
Segundo o economista do Dieese, Nelson Karan, o governo não queria mais mostrar que a Grande Curitiba tinha índices elevados de desemprego. Os dados de outubro (último levantamento apurado) mostram que há 14,4% de desempregados nos municípios da Região Metropolitana de Curitiba, o que dá cerca de 155 mil trabalhadores fora do mercado de trabalho.
Karan disse que as negociações com a UFPR deverão demorar alguns meses. ‘‘Na melhor das hipóteses, conseguiremos retomar a pesquisa em quatro meses’’, afirmou o economista. Os números de janeiro já deixaram de ser apurados.
O Ipardes rompeu com o Dieese após três anos de pesquisa. O secretário do Planejamento, Miguel Salomão, disse que o governo não concordava mais com a metodologia empregada pelo Dieese para obter o nível de desemprego. ‘‘Temos necessidade de apurar índices que possam ser comparados com os de outros Estados e demais países’’, afirmou Salomão, em um artigo enviado aos jornais. Ele disse que o governo pode adotar os números do IBGE para verificar o desemprego no Estado.
Um dos itens questionados pelo secretário foi o do trabalho infantil. O Dieese calcula o nível de desemprego entre a população economicamente ativa que tem entre 10 e 14 anos. A taxa de desemprego anual nesta faixa etária foi de 4,2%. O IBGE apontou um resultado menor, que chegou a 1,6% no mesmo período. O economista do Dieese, Cid Cordeiro, disse que a inclusão dos menores na PED não altera de maneira significativa o resultado final da pesquisa. ‘‘Em agosto, o desemprego foi de 14,7%. Se excluíssemos os menores, o índice ficaria em 14,3%’’, afirmou. O IBGE aponta níveis de desemprego que ficam entre 3% ou 4%.
O Dieese luta agora para conseguir manter o financiamento da pesquisa. Os recursos repassados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador deixam de ser enviados com o rompimento do contrato entre Dieese e Ipardes. Se conseguir viabilizar outro parceiro, o departamento intersindical poderá retomar o financiamento, que seria de R$ 1 milhão para este ano.

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