Dieese nega que reajuste salarial contamine inflação
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sexta-feira, 16 de maio de 2003
Jander Ramon<br> Agência Estado 
São Paulo - O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) refuta a análise de segmentos do mercado financeiro, e até do Banco Central (BC), de que os reajustes salariais negociados neste ano possam contaminar de alguma forma a inflação dos próximos meses. Essa não seria, para o coordenador-técnico do Dieese, Wilson Amorim, uma boa justificativa para o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central não reduzir a Selic na sua próxima reunião, agendada para terça e quarta-feira da semana que vem.
''Nos últimos cinco anos, independentemente do movimento inflacionário, os salários sofreram perdas de quase 30%'', argumenta. ''Em 2002, somente 54,7% das 499 categorias profissionais do País obtiveram, via negociação coletiva, reposição salarial igual ou superior ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)'', complementa.
Ele reconhece, no entanto, que neste ano, pela primeira vez desde 1994, os sindicatos saíram em campanha por reposição salarial fora do período de suas datas-base. ''Mas essas reposições se deram de forma heterogênea em diferentes categorias: abono, reajustes simples, reajustes parcelados'', comenta, negando com isso a existência de qualquer princípio de indexação.
Amorim ressalta ainda que, até o momento, levantamentos preliminares indicam que as negociações entre sindicatos de trabalhadores e empregadores, em andamento na Região Metropolitana de São Paulo para a campanha salarial de 2003, têm se dado em um ambiente em que nem mesmo a inflação do período anterior foi recuperada pela massa salarial.
Estão em campanha salarial unificada em São Paulo, comandados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT-SP), 30 categorias, com uma base de 1 milhão de trabalhadores dos setores privado, público e rural. Nesse grupo estão professores (Apeoesp) , funcionários da Educação (Afuse), da Sabesp e da Cetesb (Sintaema), Febem (Sintraemfa), saúde (Sindsaúde), e professores universitários da USP e Unicamp (Sintusp e STUnicamp), entre outros.
''Não podemos pensar em inflação de demanda, fruto de reajustes salariais, como muitos argumentam, porque os números mais recentes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) apontam para o aumento das demissões em março e abril deste ano'', sustenta.
Além disso, o coordenador do Dieese lembra que, até o momento, todas as indicações sobre o desempenho da economia em 2003 mostram um quadro de baixo crescimento econômico e alto nível de desemprego. ''Nessas circunstâncias, o ambiente de negociação salarial é extremamente tenso'', comenta.
Amorim admite, no entanto, que cada um dos atores envolvidos nas negociações salariais travará um dos duelos mais interessantes dos últimos anos. ''Os empresários vão avaliar o comportamento da inflação para os próximos meses e, se perceberem que haverá queda dos índices, vão avaliar os reajustes salariais como um aumento de custo. Do seu lado, os trabalhadores vão mostrar a situação difícil que vivem com a inflação acumulada nos 12 meses anteriores à negociação'', analisa. ''A barganha aparecerá nessa discussão.''


