Curitiba - O nível de emprego no Paraná deve fechar 2005 com um dos piores resultados dos últimos anos, ainda que apresente variação positiva no acumulado dos 12 meses. Caso se confirme a tendência de desaceleração, em dezembro, com a perda estimada de 20 mil a 25 mil postos de trabalho, o Estado acumulará três meses consecutivos de queda na geração de empregos situação registrada, pela última vez, em 1999.
A projeção é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), que divulgou, ontem, os dados referentes a novembro de 2005. Os resultados de dezembro só deverão ser disponibilizados no final deste mês. Em novembro, o nível de emprego caiu 0,03%, com o recuo das vagas no Interior (-0,33%) e crescimento tímido na Região Metropolitana de Curitiba (0,44%). Em outubro, a queda havia sido de 0,05%.
De acordo com o economista do Dieese, Sandro Silva, a desaceleração no nível de emprego foi sentida em todo o País, mas, no Paraná, o reflexo da política econômica e da desvalorização cambial teve um impacto maior. A explicação, segundo ele, é porque uma parcela significativa da economia paranaense é voltada às exportações. E isso resultou numa inversão de papéis entre o Interior do Estado e a RMC. De 2001 a 2004, o Interior (onde estão concentradas as indústrias e o agronegócio) era o que apresentava sempre as maiores variações no crescimento de vagas. A partir de julho do ano passado, a RMC assumiu a liderança na geração de empregos.
A agropecuária e a indústria da transformação foram responsáveis por 6.988 desligamentos no mês de novembro setores que deverão ser os vilões do desemprego também em dezembro. No entanto, no acumulado de janeiro a novembro, a indústria (alimentos, bebidas, têxtil e vestuário) abriu mais de 15 mil vagas e a agricultura e silvicultura mais de 4,2 mil.
O setor que apresentou melhor desempenho na geração de empregos, em novembro, foi o comércio varejista, com a abertura de 4.293 postos de trabalho crescimento de 1,17% , liderança que se repete no acumulado do ano, com a criação de 22.444 vagas ou o equivalente a um crescimento de 6,52%.

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