O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) divulgaram ontem a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), com recuo de 9,8% para 9,5% no desemprego de outubro para novembro. Apesar de também apontar recuo na taxa, chama a atenção a diferença nos índices entre as duas pesquisas.
"Elas divergem em virtude das regiões pesquisadas, que são diferentes, e da metodologia utilizada; nossa pesquisa incorpora o desemprego oculto à taxa de desemprego", explica Ana Maria Belavenuto, técnica da Seade. Ela explica que desemprego oculto se dá por trabalho precário (quando a pessoa está em um subemprego ou quer mudar de colocação, portanto, considerada empregada pelo IBGE) ou por desalento (quando há desistência da procura).
O resultado do Dieese/Seade deveu-se a dois fatores: criação de postos de trabalho e retração da População Economicamente Ativa (PEA). A geração de 44 mil postos de trabalho, concomitante à saída de 19 mil pessoas da PEA, resultou na redução do contingente de desempregados em 63 mil pessoas. Em contradição com a pesquisa do IBGE, a indústria de transformação puxou a contratação nas regiões pesquisadas, com 35 mil novos postos de trabalho.
"Apesar da indústria não ter tido um bom ano, registrando índices negativos em alguns meses, a partir de setembro houve recuperação", explica Ana Maria. Quanto ao mês de dezembro, a técnica acredita em nova queda no desemprego. "Ainda temos um número alto de pessoas desempregadas, 1.981.000, mas esta foi a menor taxa do ano e esperamos nova queda, ainda que pequena, para dezembro". O Dieese/Seade pesquisa seis regiões metropolitanas: Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo. (C.F.)

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