Curitiba - A política econômica do ministro Antonio Palocci utiliza a política fiscal, hoje conduzida pela política monetária (taxa de juros) como instrumento de política econômica. A proposta do deputado Delfim Neto implica em mudar a política fiscal, que teria como suporte o déficit nominal zero.
Atualmente o superávit primário nas contas públicas é da ordem de 5% do PIB, embora a meta seja de 4,25% do PIB, explicou o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro. Mas esse resultado não leva em consideração o pagamento dos juros e amortização das dívidas, que consomem R$ 44 bilhões a mais por ano, conforme cálculo da assessoria do deputado Dr. Rosinha. Se o pagamento das dívidas e juros fosse levado em conta, o País não teria o superávit de 5% e sim um déficit de 3%, já essas contas representam 8% do PIB.
Para zerar esse déficit o deputado Delfim propõe reduzir o gasto de custeio do governo federal e também os repasses vinculados como Saúde, que conforme a Constituição de 1988 deveria absorver 25% das receitas dos governos, e Educação, que deveria absorver 12% das receitas.
O economista do Dieese defende garantias de compensações para os setores que podem ser atingidos pelo plano. ''Só a eficiência de gestão alegada por Delfim não garante que a meta será atingida'', avisou Cordeiro, sugerindo que o ambiente para aceitação do plano deve ser de credibilidade. Segundo ele, a redução da taxa de juros vai depender de quanto o mercado acredita nessa intenção. (V.C.)

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