O paulistano teve em março uma alta de 0,98% no seu custo de vida (abaixo da estimativa de 1,5%), segundo pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Esta taxa indica uma retração de 0,16 ponto percentual em relação à apurada em fevereiro (1,15%).
‘‘Se, por um lado, a queda na taxa de inflação mostra que não houve desarranjo na economia, reflete nitidamente que vivemos um momento de recessão’’, explica Cornélia Nogueira Porto, supervisora da pesquisa do Índice do Custo de Vida (IVC).
Pelo segundo mês consecutivo, os grupos de despesas alimentação e equipamentos domésticos (medidos pela pesquisa) foram os que mais subiram: 1,63% e 1,87%, respectivamente. Esses aumentos se justificam, segundo Cornélia, porque são grupos que têm relação com o mercado externo e sofreram com o impacto da desvalorização cambial iniciada em meados de janeiro.
Há indícios, entretanto, de que essa tendência pode estar perdendo fôlego, pois os índices foram bem menores do que em fevereiro (2,6% em alimentação e 3% em equipamentos domésticos). O item combustível, que fechou em 2,59%, também foi decisivo para a queda na inflação. ‘‘Se fosse maior, teria influenciado bastante no valor do transporte, que compõe os preços dos produtos da cesta básica’’, avalia a supervisora.
Para abril, Cornélia prevê que as quedas nos índices devem continuar, chegando o IVC a aproximadamente 0,5%, ou seja, bem próximo aos valores registrados até dezembro. No acumulado do ano, segundo a pesquisadora, a inflação deve ficar entre 4% e 5%. ‘‘Só teremos novidades se acontecerem grandes aumentos na energia elétrica ou nos remédios’’.

mockup