Dieese aprova mínimo de US$ 114 em 2010
Agência Estado
De São Paulo
Um aumento de 50% no valor do salário mínimo em dez anos, o que, em valores de hoje, significaria um salto dos atuais R$ 136 para R$ 204, em 2010, seria uma proposta até que satisfatória para o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) de São Paulo, desde que o poder de compra do mínimo continuasse em recuperação nos anos seguintes. Tendo como base o dólar cotado em R$ 1,78, o valor do mínimo de R$ 204 daqui a dez anos corresponderia a US$ 114 14% superior à proposta do PFL de um mínimo de US$ 100 a partir de maio deste ano.
O economista José Maurício Soares, especialista em salário mínimo, do Diesse, considera difícil acreditar que o valor seja reajustado em 30%, como defende o PFL, embora ele apoie a idéia. O valor do mínimo é tão baixo que é preciso um aumento, disse Soares, negando-se a dizer qual seria um bom valor. Sobre se é demagógica a proposta do PFL, disse: É muito provável que sim, mas ninguém discorda que o mínimo é baixo.
Esse reajuste é urgente e necessário, segundo o Diesse de São Paulo, porque a perda do poder de compra do salário mínimo foi muito acentuada ao longo da década de 90. O valor médio do mínimo, em valores corrigidos, em 1999, foi de R$ 151,82. Dez anos antes, em 1989, o valor médio foi de R$ 231,86. O valor mais baixo foi em 1995, quando a média do mínimo ficou em R$ 139,72.
O Diesse trabalha com um valor ideal do mínimo em R$ 942,76. É impossível chegar nesse valor, admitiu Soares. O cálculo leva em conta o custo de R$ 112,22 para a compra da cesta básica na cidade de São Paulo em janeiro.Piso ideal seria R$ 942,76. Perda do poder de compra acentuou-se na última década: valor médio caiu de R$ 231,86 em 89 para R$ 151,82 em 99
Arquivo FolhaCESTA BÁSICATrabalhador com renda de até 5,5 mínimos destina 35% do que ganha para alimentação, segundo o Dieese





