Dieese aponta para alta no desemprego
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quinta-feira, 22 de janeiro de 1998
Carmem Murara Curitiba 
A taxa de desemprego na região metropolitana de Curitiba apresentou uma tendência de queda no final do ano. Os últimos dados divulgados pelo Dieese mostram que o desemprego atingiu 14,3% em setembro e 14,1% em outubro. A tendência para o final do ano era manter o aumento das vagas no mercado de trabalho, quando aumenta a contratação de mão-de-obra paranaense. Mas o pacote fiscal baixado pelo governo em outubro pode ter revertido a tendência e o Dieese espera aumento no desemprego para este início do ano.
Pela pesquisa, o índice de desemprego apresentou um aumento de um ponto percentual em relação a outubro do ano passado. No período de 12 meses, a Grande Curitiba teve um saldo de 18 mil desempregados a mais, totalizando 150 mil desocupados.
O crescimento no desemprego médio anual é um fator verificado em todas as capitais onde o Dieese faz a pesquisa. Em Porto Alegre, a taxa de desemprego atingiu 12,6% da população e em Belo Horizonte 13,5%. O desemprego em São Paulo alcançou 16,5% dos trabalhadores. A tendência do aumento do desemprego é reflexo do Plano Real, que impôs um crescimento econômico muito pequeno para o Brasil, afirmou o economista do Dieese, Nelson Karan.
A pesquisa do Dieese mostra que o segundo semestre é mais propício para contratação de mão-de-obra. Em agosto, os desempregados representavam 14,7% da população economicamente ativa, caindo para 14,3% no mês seguinte. Nos primeiros meses do ano, há uma tendência natural de demissão que pode se agravar devido aos reflexos da crise econômica.
O setor que mais desempregou entre setembro e outubro do ano passado foi o da indústria de transformação, com o fechamento de 3 mil postos de trabalho: O comércio demitiu 4 mil empregados. A construção civil foi a que mais empregou, aumentando em 6 mil o número de contratações. Em 12 meses, o setor de serviços foi o que mais ofertou empregos, totalizando 19 mil vagas a mais.
Segundo o supervisor do Dieese, Cid Cordeiro, um dos destaques do segundo semestre do ano passado foi a criação de 27 mil postos de trabalho. Mas apesar da geração de mais empregos, eles não foram suficientes para absorver o aumento da oferta de mão-de-obra, afirmou. A variação anual do desemprego foi de 9,3% (outubro de 96 até outubro de 97). No mesmo período no ano anterior, a variação foi de 11,2%.
Em fevereiro, O Dieese deve divulgar o índice de desemprego de novembro e em março, o de dezembro. O atraso foi atribuído ao cancelamento do convênio entre Dieese e Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social). A pesquisa está suspensa até que o Dieese encontre novo parceiro. A Universidade Federal do Paraná responde até amanhã se vai ou não firmar acordo com o Dieese para fazer o levantamento.


