Curitiba As taxas de juros no Brasil variam hoje de 1,8% a 12% ao mês o que significa um percentual anual de 23% a 289%, respectivamente. Os menores valores são para o crédito consignado - com desconto em folha e os maiores para o cartão de crédito. Os dados fazem parte da pesquisa Indicadores do Setor Financeiro divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) em conjunto com o Sindicato dos Bancários de Curitiba e a Federação dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Fetec-PR).
''O crédito é importante para o consumo e o crescimento do País mas dentro de taxas razoáveis que acompanhem a renda das pessoas'', disse o supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro. Ele recomenda que, como os juros ainda são altos no País, o trabalhador deve ter cuidado ao contrair uma dívida para não comprometer demais o orçamento familiar.
A pesquisa apontou ainda as taxas anuais cobradas por diversos segmentos do setor financeiro. O valor mais elevado ficou com o cheque especial (147,56% ao ano) seguido dos juros para aquisição de diversos bens (59,06%), do crédito pessoal (69,39%) e das taxas para aquisição de veículos (36,13%).
A presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba, Marisa Stédile, destacou que só o crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) teve um crescimento de volume de 82,7% entre 2004 e 2005, o que indica que as pessoas conseguiram comprar mais. ''Os bancos descobriram que podem ganhar com juros mais baixos o que aumenta o volume de crédito e os postos de trabalho no setor'', disse Cordeiro.
Volume de crédito - Em 2005, o volume de crédito no Brasil teve aumento de 23,54%. Para as pessoas físicas, o aumento foi de 36,68% e para as pessoas jurídicas de 14,66%.
Nos créditos para pessoas físicas os maiores aumentos ocorreram no crédito pessoal (49,93%), na aquisição de outros bens (45,57%) e no cartão de crédito (40,60%). A única modalidade que apresentou redução foi o financiamento imobiliário, com redução de 8,77%.
Em 2005, houve aumento da taxa de juros mensal média no cheque especial que passou de 7,62% para 7,85% e na aquisição de veículos que passou de 2,58% para 2,60%. As quedas ocorreram nas taxas de juros mensais do crédito pessoal que passaram de 4,73% para 4,49% e na aquisição de outros bens que foi de 4,10% para 3,94%.
Em relação a inadimplência das pessoas físicas no Brasil em 2005, houve queda no crédito pessoal de 12,24% apra 10,90% , na aquisição de veículos de 9,49% para 8,63% e no cheque especial de 8,36% para 8,25%. Por outro lado, houve aumento de inadimplência na aquisição de outros bens (17,86% para 18,67%).
A pesquisa revelou ainda que o nível de emprego em 2005 no setor financeiro paranaense teve aumento de 4,98% com a geração de 1.194 postos de trabalho, resultado superior ao crescimento nacional que foi de 4,23%. Na Região Metropolitana de Curitiba, a alta foi de 5,19% o que corresponde a 735 empregos.
A presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba, Marisa Stédile, acredita que o aumento do número de empregos está relacionado a expansão do crédito, ao aumento dos postos bancários e a reabertura de agências. No Brasil, hoje atuam 416.087 bancários e no Paraná 25.157.

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