Agência Estado
De São Paulo
A percepção de melhora no cenário político-econômico nos últimos dias tem sido traduzida no mercado com uma reversão de alta das cotações do dólar e retomada de valorização das bolsas. Os sinais sugerem novas oportunidades no mercado e pode ser o momento de o investidor procurar outras opções com boas perspectivas de rentabilidade, sem abandonar a segurança da renda fixa.
O diretor de Produtos de Investimentos e Clientes Institucionais do Personnalité Itaú, Alexandre Zakia Albert, comenta que alguns eventos foram importantes na mudança de expectativas do mercado. O ponto de partida foi o lançamento do programa de investimentos do governo, seguido de mudança ministerial que indicou o renovado compromisso com a estabilidade.
Os sinais de que o governo tem intenção de retomar o crescimento e a alteração ministerial alimentaram no mercado a expectativa de efeitos políticos positivos no Congresso para a votação de reformas. A agenda tem como principais pontos, segundo Zakia, a proposta de reforma tributária, a da Lei de Responsabilidade Fiscal e a de regulamentação da reforma da Previdência.
A melhora do quadro doméstico é condição necessária para acalmar o mercado. Não poderá ser suficiente, contudo, se surgir algum foco de instabilidade mais acentuada no Exterior que provoque fuga de capitais do País.
Pelo cenário que desenha, o diretor do Personnalité Itaú afirma que a política deve ser de diversificação. Para começar, qualquer investidor deve ter parcela dos recursos em renda fixa, principalmente nos fundos DI, porque os juros continuam elevados. Mas como cada investidor tem seu perfil, que precisa ser respeitado, ele sugere também, para o aplicador um pouco agressivo, os fundos derivativos. Sua ressalva, nesse caso, é que o investidor procure entender melhor o produto, sobretudo o risco que se corre nele.
Zakia diz que, para quem tolera risco maior, aplica no longo prazo e escolhe papéis de boa qualidade, o investimento de parte dos recursos em ações pode ser interessante.
A caderneta de poupança bateu em agosto o recorde no ano de perda de depósitos. A aplicação teve perda líquida de R$ 1,45 bilhão. Já os fundos DI ganharam R$ 2,61 bilhões. Os poupadores, tudo indicam, estão comparando a caderneta com os fundos e optando por estes. Na comparação, os fundos batem na caderneta porque rendem mais e também porque desde 2 de agosto a maior parte deles oferece liquidez diária, enquanto a caderneta só permite saques remunerados a cada mês. Em agosto, os fundos pagaram em média 1,23% líquido e a caderneta rendeu 0,80%.

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