São Paulo - As aulas na maioria dos colégios já começaram, mas ainda tem muitos pais fazendo pesquisa na hora de comprar o material escolar. Todos sabem que, se levarem apenas itens básicos, sem marcas famosas, a conta sai mais barata. Porém, os pequenos não resistem aos produtos com estampas da Hello Kitty e do Homem Aranha, ou outro personagem da moda, que encarecem o produto. Mas é possível equilibrar a equação sem criar impasse dentro de casa.
A primeira regra é fazer uma pesquisa do preço dos materiais - pode ser pela internet - e estabelecer uma margem de quanto se pretende gastar. Os pais devem expor esse limite à criança. Mas isso deve ser feito antes de sair de casa. ''É muito difícil que ela entenda e negocie numa papelaria com oferta imensa'', explica a psicopedagoga Edimara Lima, da Prima Escola Montessouri.
Os pais devem deixar claro que o valor estipulado é aquilo que eles podem pagar. Não é uma questão de deixar ou não. ''O verbo é importante. ‘Poder’ é diferente de ‘deixar’'', diz. Isso demonstra que há um critério na negociação externo à vontade dos pais.
Na hora de fechar a conta, é a criança quem vai escolher entre os itens básicos e os diferenciados, sempre dentro do orçamento. ''Ela vai entender que é mais fácil ter o lápis Hello Kitty do que o caderno.'' Porém, os pais devem checar a qualidade. Segundo Edimara, este momento pode representar uma experiência educativa interessante. ''Se o filho for adolescente, é uma excelente oportunidade de participação, de convívio e troca de idéias.'' Crianças abaixo de oito anos, entretanto, não precisam ser levadas às compras. ''Talvez ainda não tenham noção de valor e quantidade.''
Entre os itens mais caros da lista, estão os livros didáticos. Alguns chegam a custar R$ 80. Uma alternativa é o empréstimo ou a compra de exemplares usados. ''É uma forma de mostrar, num tempo em que tudo é descartável, que o livro pode ser manuseado por muito tempo, por mais pessoas'', afirma a diretora do colégio Ítaca, na zona sul de São Paulo, Mercedes de Paula Ferreira.
Há seis anos, na primeira semana de aula, o colégio promove uma feirinha. Sabendo disso, ao longo do ano, os alunos cuidam, encapam, não escrevem nas páginas à caneta. Todos os livros são vendidos pela metade do preço. A escola faz uma triagem dos que estão em bom estado. ''Todos se esgotam em poucos minutos'', garante Mercedes.
Para os alunos, o processo também é uma forma de aprendizagem. ''Eles ficam orgulhosos porque sentem que estão ajudando a economizar, fazendo parte da situação familiar.''

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