O senador Osmar Dias (PDT) levou ontem ao Senado denúncias contra a Companhia Paranaense de Energia (Copel). Em discurso no plenário, ele disse que a empresa firmou contratos irregulares para beneficiar pessoas ligadas ao governo do Estado. O senador pretende pedir a abertura de inquérito no Ministério Público.
Osmar afirmou que os contratos lesaram o patrimônio da Copel. E citou dois deles. O caso da comercializadora de energia Tradener, aberta com 45% de participação acionária da Copel. Teria iniciado as atividades com um capital social de R$ 10 mil, que hoje já está avaliado em R$ 1,35 milhão. Uma cláusula prevê que, caso o contrato seja rescindido, a Copel ressarcirá a Tradener em R$ 20 milhões. O contrato foi suspenso no final de outubro pela 4 Vara da Fazenda Pública de Curitiba.
No caso da empresa Escoeletric, Osmar disse estranhar que tenha firmado contrato para transferir tecnologia para a Copel. ''Por que a Copel precisaria disso, se é considerada uma das melhores companhias de eletricidade?'' A Escoeletric tem 40% de participação acionária da Copel e capital social de R$ 1 milhão. Se houver rescisão do contrato, a multa é de R$ 18,7 milhões.
Nos dois casos, entre os sócios das empresas parceiras da Copel há ex-funcionários da estatal. ''Isso já configura uma situação irregular. Pois os conhecimentos adquiridos enquanto eles eram funcionários são usados de forma privilegiada.'' A direção da Copel foi procurada ontem pela Folha, mas não se manifestou sobre as acusações. (Ellen Taborda, de Curitiba)

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