O comércio de Londrina aposta no Dia dos Namorados como uma oportunidade para recuperar parte das vendas perdidas no primeiro semestre e superar o desempenho registrado no Dia das Mães. A expectativa da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) é de que a data, comemorada em 12 de junho, impulsione as vendas de presentes, flores, perfumes, joias, vestuário e também o movimento em bares e restaurantes da cidade.

Para a presidente da Acil, Vera Antunes, o cenário é visto com otimismo, apesar de a entidade não ter concluído pesquisas de intenção de compras para a data. A expectativa é de resultados melhores que os observados no Dia das Mães, em maio deste ano, quando as vendas ficaram 9,2% abaixo das registradas em 2025, conforme levantamento encomendado pela associação. "A gente está sempre otimista. Acreditamos que pode ser um momento até de uma virada melhor que o Dia das Mães", disse.

A expectativa positiva é reforçada pelo fato de a data coincidir com um fim de semana prolongado, já que no dia 12 de junho também é celebrado o Sagrado Coração de Jesus, padroeiro da cidade comemorado com feriado municipal. Para a presidente da entidade, o período pode estimular passeios, jantares e compras.

De acordo com Antunes, a Acil não lançou uma campanha específica para o Dia dos Namorados, mas vem incentivando os associados a investir em diferenciais para atrair consumidores, como decoração temática, promoções e montagem de combos de produtos e serviços. Além disso, a entidade pretende intensificar a divulgação da data por meio de suas redes sociais. "O que a Acil sempre incentiva é que os lojistas tenham diferenciais para oferecer aos clientes. Combos, decoração da loja e ações que valorizem a experiência de compra", explicou.

GASTO MÉDIO DE R$ 200

Embora ainda não exista uma estimativa oficial sobre o volume de vendas, a expectativa da entidade é de que o valor médio gasto pelos consumidores fique entre R$ 190 e R$ 200 por presente. O número é semelhante ao registrado no Dia das Mães, quando o ticket médio foi de R$ 191. "É uma estimativa, porque os números exatos só serão conhecidos depois das vendas", disse a presidente da Acil.

Além do comércio varejista, a entidade acredita que restaurantes, bares e estabelecimentos do setor de serviços também serão beneficiados pela data. Atualmente, cerca de 80% dos associados da Acil são micro e pequenas empresas, distribuídas entre os segmentos de comércio, indústria e serviços.

FERIADO E ENDIVIDAMENTO

Apesar da expectativa positiva para o Dia dos Namorados, os empresários manifestam preocupação com a concentração de feriados em junho. De acordo com Vera Antunes, a ocorrência de dois feriados no mesmo mês tende a reduzir a atividade econômica, especialmente quando as datas caem durante a semana. "Sempre que o feriado cai em dia útil ele prejudica não só o comércio, mas qualquer empresa de forma geral. Junho é um mês atípico e precisamos melhorar bastante os números", avaliou.

Outro fator que preocupa o setor produtivo é o elevado comprometimento da renda das famílias londrinenses. De acordo com estudo recente do Nupea (Núcleo de Pesquisa Econômica Aplicada) da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), 91,4% das famílias da cidade iniciaram o segundo trimestre deste ano com algum grau de comprometimento da renda.

Vera alerta que o cenário de endividamento, aliado à alta inadimplência e aos juros elevados, limita o poder de compra dos consumidores. Segundo ela, a inadimplência registrou crescimento de 8,2% em abril, enquanto a taxa básica de juros da economia permanece em 14,5% ao ano. "Esse endividamento desequilibra qualquer orçamento. Muitas pessoas estão preocupadas, sem crédito disponível, e isso acaba afetando diretamente as vendas", afirmou.

INTENÇÃO DE COMPRA CRESCE NO PARANÁ

Levantamento da Fecomércio-PR (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná) e do Sebrae/PR indica que o Dia dos Namorados deve movimentar o comércio paranaense neste ano. A pesquisa aponta que 43% dos consumidores pretendem comprar presentes para a data, percentual superior ao registrado em 2025.

Apesar do aumento da intenção de consumo, o valor médio gasto pelos consumidores deve ser menor. O ticket médio estimado para 2026 é de R$ 185,65, abaixo dos R$ 193,06 apurados no ano passado.

Segundo o coordenador de Desenvolvimento Empresarial da Fecomércio-PR, Rodrigo Schmidt, a data continua sendo uma das mais importantes para o comércio no fechamento do primeiro semestre, beneficiando setores como vestuário, restaurantes, perfumaria, cosméticos, joalherias e lojas de acessórios.

A pesquisa revela ainda diferenças entre homens e mulheres na disposição para gastar. Entre os consumidores do sexo masculino, o ticket médio deve subir de R$ 194,17 para R$ 209,09. Já entre as mulheres, a expectativa é de redução, passando de R$ 191,67 para R$ 148,81.

Entre os presentes mais procurados estão roupas, bolsas e calçados, escolhidos por 40,7% dos entrevistados. Perfumes e cosméticos aparecem em segundo lugar, com 28,2%, seguidos por joias, bijuterias e acessórios (16,8%), jantares (15,5%), comidas e bebidas (9,7%) e flores (9,6%). Também figuram na lista eletrônicos (6,9%), dinheiro para que o parceiro escolha o presente (6,3%) e lembranças artesanais (5,1%).

INFLAÇÃO ENCARECE PRESENTES

A sondagem da Fecomércio também aponta que a inflação continua impactando o orçamento dos consumidores. Entre junho de 2025 e maio de 2026, a inflação acumulada foi de 5,84%.

Entre os itens tradicionalmente associados à data, as maiores altas foram registradas em joias e bijuterias, com aumento de 27,29%, e chocolates, que ficaram 20,98% mais caros no período. Também apresentaram elevação de preços artigos de maquiagem (9,30%), perfumes (5,61%), jantares (5,12%) e pacotes turísticos (19,27%).

De acordo com a Fecomércio-PR, a valorização internacional de matérias-primas como ouro, prata e cacau tem pressionado os custos de produção e contribuído para o encarecimento desses produtos, fator que pode influenciar a decisão de compra dos consumidores neste Dia dos Namorados.

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