Dia do Trabalho é comemorado desde 1894
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de abril de 1998
Agência Estado 
Em seu livro São Paulo dos Meus Amores, o escritor Afonso Schmidt revela que o Dia do Trabalho é comemorado oficialmente no Brasil desde 1902, mas a primeira vez em que se pensou em celebrar a data ocorreu bem antes - em 15 de abril de 1894, quando socialistas e anarquistas, a maioria italianos, iam se reunir na rua Líbero Badaró, nº 110, em São Paulo, a fim de discutir como seria a comemoração. Só que o cônsul italiano na capital paulista avisou a polícia, chegou mais cedo ao local e impediu a reunião.
A informação é confirmada por Edgar Rodrigues em Socialismo e Sindicalismo no Brasil. Só em 1902 foi que se conseguiu marcar a data de 1º de Maio em praça pública paulistana, aindaassim sob a vigilância policial.
O registro fotográfico mais antigo sobre as comemorações do Dia do Trabalho no Brasil é de 1907. Os sindicatos, naquele tempo, eram autônomos e desligados do Estado. A partir de 1931 eles passaram a ser dependentes do Ministério do Trabalho e quatro anos depois, no Estado Novo, as comemorações enfatizavam em primeiro lugar o governo Vargas e, depois, o trabalhador.
Na década de 40, os sindicalistas resolveram enfrentar a situação forçada pelo governo e criaram o Movimento de Unificação dos Trabalhadores, em 45, e a Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil, em 46. Hoje, num quadro totalmente diferente daquele tempo, os sindicalistas se dividem em três entidades: Central Única de Trabalhadores, Força Sindical e Confederação Geral do Trabalho.
Datas diferentes Vários países têm seu próprio calendário para dedicar ao Dia do Trabalho. No Japão, é 23 de novembro; na Espanha, 18 de agosto; na Nova Zelândia, 22 de outubro; na Âustrália, 21 de abril; na Inglaterra, no primeiro domingo de maio e, nos Estados Unidos e Canadá, na primeira segunda-feira de setembro.
O dia simbólico, no entanto, é mesmo o 1º de Maio, desde julho de 1899, quando a Internacional Socialista, reunida em Paris, oficializou a data em homenagem aos mártires de Chicago, os oito operários presos e condenados à forca ou à prisão perpétua em 1886, naquela cidade. A escolha foi definida exatamente para lembrar o dia em que Chicago acordou sob uma greve geral que terminaria em tragédia quatro dias mais tarde. Os trabalhadores reivindicavam aos empresários o cumprimento da lei que estabelecia os turnos de oito horas diárias, quando a polícia entrou em cena.
Houve provocações, brigas e, por fim, a violência das bombas, armas de fogo, sabres desembainhados e um saldo de muitos operários e um policial mortos e oito líderes grevistas presos: os anarquistas August Spies, Michael Swabs, Samuel Fielden, Albert Parsons, Adolph Fischer, George Engel, Louis Lingg e Oscar Noebe. Cinco deles foram condenados à morte, mas o peso das sentenças não conseguiu modificar as idéias dos condenados. No dia 1º de Maio de 1890, o Congresso americano promulgava a lei regulamentando a jornada de trabalho em oito horas.


