Dia da Criança terá brinquedos mais caros
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terça-feira, 14 de setembro de 2004
Alberto Komatsu<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - Os fabricantes de brinquedos promovem este ano o lançamento de mil produtos para o Dia da Criança, o maior número dos últimos cinco anos. Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), o aumento é de 25% em relação ao ano passado, quando foram colocados no mercado 800 novos brinquedos. Os preços também são ''novos'' e deverão ficar ainda mais altos no Natal.
Presidente da Abrinq, Synésio Batista, estima que as empresas deverão fazer reajustes de até 12% para compensar a inflação nos custos com matéria-prima. As lojas já receberam os estoques para o Dia da Criança com novos preços. Segundo uma das proprietárias da rede Brink Center, do Rio de Janeiro, Meg Sarkissian, 36 anos, o aumento ficou entre 6% e 10%. No ano, os repasses estão acumulados entre 10% e 20%. ''Até entendo (os reajustes) porque os custos estão aumentando demais'', diz.
A Grow já fez um reajuste médio de 6% nos seus produtos em abril. A Estrela, que aumentou em 20% os lançamentos para o Dia da Criança neste ano, reajustou os preços de seus brinquedos em torno de 9% no primeiro trimestre. Em ambos os casos, o vilão foi a matéria-prima, especialmente as resinas plásticas, que acumulam inflação de 40% no ano, segundo a Abrinq. As indústrias informam que não planejam repasses até o Dia da Criança, mas o Natal deverá vir com novas tabelas de preços. Na Estrela, os repasses serão inevitáveis. A Grow, por sua vez, define até o fim desta semana se vai aumentar os preços de seus brinquedos para o Natal.
''Estamos vendo necessidade de alta de preços de 10% no Natal'', diz Carlos Tilkian, presidente da Estrela. ''Para o Dia da Criança, não muda nada. Para o Natal, pode ser. Esse assunto é a ordem do dia'', acrescenta Gustavo Arruda, gerente de Vendas da Grow. Se depender dos lojistas, no entanto, não haverá espaço para mais aumentos. ''Vai ser uma negociação árdua e difícil'', diz Meg, da Brink Center.
A estratégia da Gulliver, que lançou 180 itens este ano, é não promover aumentos até o fim deste ano. ''Preferimos trabalhar com a margem (de lucro) agressiva e preços reduzidos'', diz o gerente de Vendas, Paulo Benzatti. No Dia da Criança, o gasto médio unitário deverá passar de R$ 40, em 2003, para R$ 50 este ano, segundo cálculos do presidente da Abrinq, que constatou uma volta aos apelos dos brinquedos tradicionais. ''A quantidade de lançamentos é assustadora. Para as meninas, a aposta é nas bonecas. Para os meninos, jogos'', afirma.
Até R$ 50 é o limite que o casal Edson e Eliane Fernandes pretende gastar para presentear as duas filhas, Bruna, 4, e Amanda, 5 meses. ''Não pretendemos dar nada muito diferente, mas o brinquedo não pode ser supérfluo. Estamos pensando em bonecas e jogos'', diz Edson, 35, que trabalha no setor de seguros.
As empresas confirmam a tendência de retorno aos brinquedos mais baratos e simples. Na Estrela, que prevê vendas 15% superiores no dia 12 de outubro, Tilkian afirma que a tradicional boneca Susi sempre tem boas vendas. Neste ano, a empresa lançou 15 modelos. A Gulliver, que projeta faturamento 20% maior este ano, investe na boneca Bratz, outra concorrente da Barbie. A Grow lançou bonecos dos filmes Homem Aranha e Shrek 2 e também uma linha pré-escolar para crianças de até 5 anos.


