Entre 1985 e 1996, o Estado do Paraná perdeu quase 75.000 pequenas propriedades com menos de 10 ha e cerca de 2 milhões de pessoas deixaram a zona rural, o que revela um acentuado processo de concentração da propriedade na última década. Este foi o principal destaque do Censo Agropecuário 1995/96, divulgado ontem em Curitiba, pelo IBGE.
A redução no número de estabelecimentos agropecuários no período pesquisado pelo Censo foi de 20,07%. Em 1985 existiam 466.397 propriedades e em 1996, eram 369.785. Dos 96.522 estabelecimentos eliminados (incorporados a outras propriedades) 77% tinham menos de 10 ha, segundo o gerente operacional do Censo, Antônio Carlos Florindo.
O técnico do IBGE sugere: os governos federal, estaduais e municipais devem formular políticas que atendam o pequeno (agricultor, industrial e empresário do setor de serviços), que não tem condição de competir com os grandes grupos.
Segundo Florido, o censo sinaliza que a pequena propriedade vai sobreviver somente com atividades de alta rentabilidade. Ele citou como exemplo a olericultura praticada nas áreas de cinturões verdes nas regiões metropolitanas, avicultura e leite, desde que manejadas com alta tecnologia. A produção de grãos em pequenas áreas está condenada ao fracasso e não se viabilizam mais nesse cenário de competição, disse Florido.
Outra constatação do censo foi a redução da população rural em relação à população total do Estado. Em 1970, a relação entre população rural e população total era de 63%. Em 1980, caiu para 41%, em 1991 para 26% e no censo de 1996 foi constatada a queda para 22% da população do Estado no meio rural. A tendência é de redução ainda maior da população rural, como o avanço das atividades tecnificadas que deverão expulsar muito mais pessoas, acredita Florido.
O avanço da tecnologia no campo refletiu na melhoria da produtividade de culturas como cana-de-açúcar, fumo, mandioca, milho, soja, leite e o café, que está em recuperação. O censo de 1995 revela uma queda acentuada na área ocupada com café, que chegou a ocupar 422.000 ha em 1985 e em 1995, apenas 36.000 hectares eram ocupados pela cafeicultura. Além dos preços desanimadores, a pá de cal na cultura cafeeira no Estado foi a geada de 94. Mas a partir de 95 começou a recuperação da cultura que hoje abrange 140.000 ha. Para Florido, a recuperação do café no Paraná deve-se basicamente ao preço do produto no mercado internacional.
A produção de leite teve um crescimento superior a 40% com a incorporação de tecnologia no manejo. Em 1985, a produção anual constatada pelo censo agropecuário era de 919 milhões de litros e em 1995, avançou para 1,35 bilhão de litros.

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