Curitiba - A devolução de mais uma carga de soja brasileira, desta vez exportada pelo porto de Santos (SP), mancha a imagem do produto brasileiro no mercado externo, admitiu o assessor econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque. Segundo ele, as devoluções de carga depreciam o preço do produto, sendo que automaticamente elas são embutidas no prêmio negativo que está refletindo este ano para a soja brasileira.
Albuquerque reconheceu que a Empresa de Classificação do Paraná (Claspar) vem fazendo um trabalho rigoroso no Porto de Paranaguá para preservar a qualidade do produto exportado por aquele terminal. Ele diz, porém, que o rigor da fiscalização só está sendo mantido pelo governo do Estado porque ''ele quer manter a todo o custo a proibição da soja transgênica''.
De acordo com Albuquerque, a Claspar vem fazendo promoção de seu trabalho quando na verdade ''os fiscais estão lá para proibir a soja transgênica''. Para ele, a preocupação com a qualidade da exportação ''deveria ser constante'', afirmou. Por outro lado, Albuquerque reconheceu que o fato de se enviar soja contaminada para o mercado externo revela falhas na fiscalização que está ocorrendo em outros portos.
O representante da Faep defendeu uma punição rigorosa das empresas que estão exportando soja contaminada porque elas depreciam o preço do produto brasileiro. Albuquerque, que recentemente participou de uma missão empresarial à Europa, disse que o Porto de Roterdã, na Holanda, aceita todo tipo de carga. ''A segregação e a fiscalização da qualidade é que dão credibilidade a um terminal'', destacou.
O governador Roberto Requião (PMDB) disse ontem pela manhã, durante reunião com seu secretariado, que as devoluções de cargas de soja pela China estão acontecendo por causa da ''complascência do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que vem militando contra os interesses nacionais''. Segundo o governador, o Porto de Paranaguá vai manter a exportação exclusiva de soja pura, sem impurezas e sem organismos geneticamente modificados.
O superintendente do porto, Eduardo Requião, também se manifestou sobre o refugo da soja brasileira pela China. Ele atribuiu a qualidade da soja exportada pelo Porto de Paranaguá ao bom trabalho de classificação feito pela Claspar. ''Apesar das críticas, o porto paranaense não exporta produtos falsificados'', ironizou.
Até agora, a China já refugou quatro cargas de soja brasileira com a argumentação que os grãos estão contaminados com alto índice de agrotóxicos. Três delas foram exportadas pelo porto do Rio Grande (RS) e uma pelo porto de Santos (SP).

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