Devolução de cheques é maior em vendas sem entrada
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sábado, 18 de dezembro de 2004
Da Redação 
São Paulo - São Paulo - O índice de cheques devolvidos no Brasil é maior nas compras sem entrada. É o que aponta estudo inédito da empresa Telecheque, realizado para verificar os riscos de inadimplência conforme os tipos de planos de pagamento. Nos planos de venda com cheque único para 60 dias a inadimplência chegou a 10,32%. Em segundo lugar, ficaram os pagamentos com cheque único para 30 dias, com índice de cheques devolvidos de 3,80%.
Ainda segundo o estudo, os planos de venda com cheque único para 45 dias responderam com índice de inadimplência de 3,75%. Já os planos de pagamento com cheques para 30, 60 e 90 dias sem entrada foram responsáveis por índice de inadimplência de 3,72%. Logo atrás apareceu o plano de venda com pré-datados para 30 e 60 dias, que apresentou índice de 3,27%.
Um dos menores índices de inadimplência por planos foi verificado nas compras em quatro pagamentos: entrada à vista, 30, 60 e 90 dias, que chegou a 1,43%.
''Observamos maior risco quando são praticados planos de pagamento sem a exigência de entrada à vista. No segmento de vestuário, por exemplo, os planos de venda com cheque único para 60 dias têm índice de inadimplência 96% maior do que o plano à vista, 30, 60 e 90 dias'', diz José Antônio Praxedes Neto, vice-presidente da Telecheque. O executivo salienta que há dois tipos de casos a serem analisados e que levaram aos resultados desse estudo: a inadimplência do fraudador e a do consumidor honesto.
Segundo o executivo, o fraudador precisa do maior tempo possível para que seus cheques sejam compensados e sua farsa desvendada. ''Portanto, os planos de venda sem entrada são os preferidos pelos fraudadores e quanto maior o prazo no pré-datamento de cheques, maior será seu tempo para aplicar os golpes na praça, antes que seu nome passe a constar nas bases de dados das empresas protetoras de crédito'', afirma.
Na visão de Praxedes, no caso do consumidor honesto, que acaba não honrando suas dívidas simplesmente por possuir despesas superiores às suas receitas, o problema encontra-se no descontrole. ''Na maioria desses casos, a postergação das dívidas gera acúmulos que se transformam em valores difíceis de serem saldados'', complementa.
''Esse estudo é um grande divisor de águas para os varejistas, já que ele quebra muitos paradigmas ao comprovar que uma venda parcelada, mesmo que a longo prazo, com entrada à vista, possui risco de inadimplência inferior ao de um plano de compra com cheque único para 30 ou 60 dias'', ressalta.


