Devassa fiscal na vida do novo dono da Transbrasil
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terça-feira, 29 de janeiro de 2002
Agência Estado 
Brasília - Procuradores da República entram hoje na Receita Federal com pedido de devassa na vida fiscal do empresário Dilson Prado da Fonseca, que adquiriu a Transbrasil há duas semanas. Dependendo do resultado das investigações, o Ministério Público poderá pedir a anulação da venda da empresa, segundo o procurador federal Luiz Francisco de Souza, que também vai solicitar explicações do ex-controlador da companhia Antônio Celso Cipriani sobre o valor real da transação. Queremos saber se foi R$ 1 ou milhões, afirma Souza.
A auditoria requisitada pelo Ministério Público teve o mesmo motivo que levou a polícia de Goiás a investigar informalmente as atividades de Fonseca. Segundo o secretário de Segurança Pública do Estado, Demóstenes Xavier Torres, a negociação foi considerada estranha. Queremos saber se o empresário realmente tem idoneidade financeira para assumir o controle da companhia aérea, observa Souza.
Com a devassa fiscal, o Ministério Público Federal pretende esclarecer três pontos ainda considerados obscuros na transação: qual é o porte financeiro real do empresário Dilson Prado da Fonseca, se há um pool de empresas envolvido nas negociações e qual o valor da venda da Transbrasil. Uma empresa deste poder não poderia ter sido adquirida por uma pessoa que não tem recursos, a não ser que ele atue como laranja de um grupo, observa o procurador.
Caso Fonseca comprove a existência de um consórcio por trás da compra da Transbrasil, o MPF pretende verificar de que forma os recursos estão sendo empregados na negociação. Se for comprovado que o empresário tem os recursos, ou que empresas investiram de forma legal na transação, não há nada o que fazer. Mas, se ficar provado que foram usados outros meios ocultos, entraremos com uma ação para anular o negócio, já que trata-se de uma concessão pública, explica Souza.
A auditoria, segundo o procurador da República, vai contestar a forma pela qual Celso Cipriani vendeu o controle da Transbrasil. Queremos saber se ele recebeu algum recurso por isso ou apenas o R$ 1,00 de forma simbólica, diz o representante do Ministério Público Federal. A intenção em relação ao ex-controlador é saber o quanto realmente foi pago.


