O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou ontem que o seu governo decidiu ‘‘insistir’’ no atual modelo de privatização do setor elétrico e afirmou que os investimentos públicos e privados vão garantir em 2003 o fornecimento de energia mesmo se o nível de chuvas alcançar apenas 66% da média anual. Segundo ele, essa seria uma ‘‘hipótese catastrófica’’, na qual não acredita, porque ‘‘Deus não vai jogar contra nós, nós não somos nosso time de futebol, é o país. Duas vezes seguidas, não dᒒ. Para o presidente, se chover 66% abaixo da média, ‘‘realmente Deus’’ está jogando contra’’.
Nessa hipótese (66%), segundo FHC, terminadas as obras das 15 termelétricas em construção, será necessária uma economia de energia de apenas 5%. A hipótese mais pessimista que analisou foi de um nível de chuvas equivalente a 80% do que choveu no pior ano já registrado. ‘‘Nós seríamos obrigados a fazer uma economia durante todo o ano de 20%. Isso é inaceitável’’, afirmou.
Durante os 40 minutos de sua exposição, feita com o auxílio de um projetor, o presidente insistiu várias vezes na tese de que o seu governo não tem responsabilidade pela crise de energia elétrica. ‘‘O diagnóstico ainda é precário, mas já temos algumas hipóteses. Basicamente nós tivemos um problema ligado à questão do uso da água, não com a questão da falta de investimento, não com a questão de sim ou não privatização, não com a questão da falta de termelétricas’’, disse.
‘‘A crise energética que nós estamos vivendo não tem relação nenhuma com investimento na oferta de energia, tem a ver realmente com problemas de outra natureza, basicamente hidrológicos’’, afirmou FHC.

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